•  Desde que os meus filhos tinham seis meses (e tendo a sorte de o poder fazer) nunca hesitei em deixá-los com os avós para fazer programas a dois com o meu marido. Algo não só necessário como fundamental para manter a sanidade de um casamento depois de sermos pais, devo acrescentar. Nunca nos ausentámos por mais de quatro ou cinco dias mas, ainda assim, esse curto período é o suficiente para termos tempo de qualidade um para o outro, para quebrar a rotina e sobretudo para dormir.

    No entanto, esta semana foi a primeira vez que os miúdos foram para casa dos avós e nós ficámos a trabalhar. Nada mudou na nossa rotina, à excepção da ausência dos nossos dois monstrinhos. E devo dizer-vos que soube quase tão bem como viajar sem eles. Juro. É que ao fim de quase cinco anos, pudémos voltar a fazer uma data de coisas que fazíamos antes de termos filhos e das quais eu já nem me lembrava. Coisas banais, rotineiras mas que, sem filhos por perto, se tornam pequenos luxos.

    1) tomar banho sem pressa e sem estar a ouvir alguém chamar o meu nome vinte vezes

    2) tomar o pequeno almoço em silêncio, sentada e sem ter de interromper para assistir a criançada nas suas mais variadas solicitações

    3) não ter de repetir até ao limite dos nervos frases como "vai lavar os dentes", "já fizeste xixi?" "calça-te se faz favor" "queres leite ou iogurte?"

    4) sair de casa sem ter de pensar no que vai ser o jantar e se há sopa feita no frigorífico

    5) sair de casa sem a sensação de que já acordámos há três horas

    6) sair de casa a horas

    7) chegar a casa depois de oito horas de trabalho e não ter de me sentar no chão a fazer legos ou plasticinas, seguido de banhos, refeições e a luta da hora de ir para a cama

    8) não chegar a casa. Deixar-me simplesmente ficar pela cidade, ir beber um cocktail com vista para o castelo e jantar no sítio que nos apetecer, sem pensar se é ou não kids-friendly

    9) ver um filme com a certeza de que ninguém me vai chamar nos primeiros vinte minutos

    10) ir para a cama com a certeza de que ninguém me vai chamar durante toooooooda a noite.

    Ah, então era assim a nossa vida antes de 2012? Se ter saudades desta vida é ser uma má mãe, então hoje sou de certeza a pior mãe do mundo!