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    Não é incomum ouvir alguns pais dizerem que o fim-de-semana começa à segunda-feira. É perfeitamente normal ter este tipo de sentimento, após quarenta e oito horas com crianças enérgicas, sobretudo no Inverno ou em dias em que não se pode ou consegue sair de casa. O mesmo se aplica ao cenário “criança doente em casa durante quatro dias”. Quando os meus filhos ficam doentes, a primeira coisa que me vem à cabeça é “oh não, vou ter de ficar com ele todo o dia em casa”. E não, a preocupação não é faltar ao meu trabalho, mas sim como vou conseguir entretê-lo todo o dia. Já para não falar do terrível cenário “Agosto: colégio fechado um mês inteiro”. 

    É nessa altura que damos valor às educadoras de infância. Como é que conseguem estar todos os dias fechadas numa sala com dez ou mais crianças??? Bem sei que os miúdos se comportam de maneira diferente quando estão com os pais e quando estão na escola. Há inúmeros relatos de crianças que não comem em casa, mas comem na escola, que não usam chucha à frente dos colegas, mas não a querem largar quando estão com os pais, que colaboram nas actividades da escola, mas só fazem birras quando estão em família, enfim. Ainda assim, não sei como conseguem controlar tantos diabretes à solta. Começo a achar que têm dotes de hipnose ou poderes mágicos. É também nesses dias que acho que as mães a tempo inteiro ou são supermulheres ou não são boas da cabeça. Se eu tivesse de ficar mais de uma semana em casa a cuidar das crianças, das refeições e de toda a lide doméstica, espetava um garfo na testa. Não me interpretem mal, adoro os meus rebentos e adoro os fins-de-semana, quando podemos estar todo o dia juntos e fazer as mil e uma coisas que durante a semana é impossível fazer, mas confesso que jamais teria a energia necessária para ficar com eles todo o dia, todos os dias do ano. 

    Por isso, deixo aqui a minha homenagem às educadoras de infância e a todas as pessoas que diariamente cuidam de crianças que não são suas, como as baby-sitters ou as avós, que chegada a reforma, em vez de descansarem, cuidam dos netos. E de graça!


    Texto originalmente publicado no livro "Coisas Que Uma Mãe Descobre e de que ninguém fala", Bertrand Editora, 2015



  • Não. Não é esta vaca loura que temos de salvar.


    Nem esta.


    O ser que precisamos mesmo de preservar nem sequer é um mamífero. Trata-se de um lindo escaravelho,lucanus cervus, típico das nossas florestas, que está em vias de extinção.


    O seu habitat - florestas mistas com carvalhos e castanheiros antigos - é cada vez mais reduzido e fragmentado, o que põe em causa a saúde das próprias florestas, já que estes escaravelhos alimentam-se de madeira de árvores de folha caduca, já morta e em decomposição, prestando (tal como outros escaravelhos decompositores de madeira) um importantíssimo papel no equilíbrio dos ecossistemas.
    O macho é inconfundível graças às suas mandíbulas em forma de pinça e pode chegar aos oito centímetros. As fêmeas são mais pequenas, variando entre 2,6 e 4,1 cm. São brilhantes, com a cabeça e tórax negros e abdómen e pinças de um castanho avermelhado.




    Mas a questão que se coloca é: como podemos salvar este lindo e precioso escaravelho? Simples. Quando andarem a passear pelo campo, em zonas onde haja castanheiros e carvalhos bem antigos, estejam atentos a este espécime. E se avistarem algum tirem uma fotografia, anotem o local e a hora do avistamento e enviem a informação para a REDE PORTUGUESA DE MONITORIZAÇÃO DA VACA-LOURA. Os meses de Junho e Julho são os mais propícios para esta monitorização, visto que no final de Julho os machos começam a morrer (depois de acasalar!) e as fêmeas andam escondidas à procura de uma árvore para colocar os seus ovos. Ou seja, este Verão, vamos brincar aos cientistas e contribuir para a conservação desta espécie. Boa?