• Desde miúda que sou apaixonada pela estética dos anos 50. Da roupa ao mobiliário, dos carros à arquitectura, para mim essa é a verdadeira década de ouro. Por isso, quando entrei pela primeira vez na casa da avó do meu marido (então namorado) fiquei maravilhada com o frigorífico Leonard que estava na cozinha e com uma máquina de costura Singer que estava esquecida num dos quartos. Lembro-me de ter dito ao Hugo "nunca deixes que a tua avó se desfaça destas peças, porque são simplesmente espetaculares".

    Os anos passaram, a avó Lurdes desapareceu e com ela a casa e grande parte do seu recheio. Mas guardámos o frigorífico e a máquina de costura. O primeiro ficou debaixo de um telheiro e a segunda numa arrecadação, expostos ao passar do tempo durante mais de dez anos. Aliás, o frigorífico ficou em tão mau estado que por várias vezes os pais do Hugo quiseram deitá-lo fora. Mas nós tínhamos o projecto de um dia recuperá-los e dar-lhes outro uso, já que nem o frigorífico serviria para uma casa do século XXI, nem eu sei costurar. O frigorífico seria um bar e a máquina de costura uma mesa de apoio.

    Finalmente, no final do ano passado, decidimos que não podíamos adiar mais esses projectos. Chegara a hora de entregar aquelas peças, que estavam a degradar-se de ano para ano, a alguém que soubesse dar-lhes uma nova vida. E esse alguém foi a Joana Guedes da Objetos. Não sei se estão preparados para este antes e depois. É que o resultado é verdadeiramente espetacular. Obrigada Joana e todos os que intervieram nestas peças que finalmente têm o destaque que merecem. Acho que a avó Lurdes ia gostar.

    Máquina de Costura Singer Antes e Depois

    Embora a máquina estivesse a funcionar, a madeira estava muito comida pelo bicho e o folheado do tampo em péssimo estado. Também os pés de ferro e a própria máquina tinham alguma ferrugem.




    Optámos por deitar fora o tampo de madeira e colocar um vidro, de forma a transformar a peça numa mesa, mas manter a máquina propriamente dita à vista. Este é o resultado:




    Frigorífico Antes e Depois
    As imagens abaixo falam por si: depois de tantos anos exposto, o frigorífico passou de branco a ferrugem. Embora tivesse todas as peças (gavetas, prateleiras, puxadores), estava todo desmontado e parecia um desafio impossível.




    Mas para a Objetos, nada é impossível. Recuperaram tudo ao pormenor, inclusive a cuvete do gelo, e ainda puseram a lâmpada a funcionar. O único problema: com um bar destes, só me apetece beber todos os dias!








    Para quem tiver em casa ou no sótão objectos à espera de uma nova vida, aqui ficam os contactos:

    Objetos - Reciclagem de mobiliário e Decoração de interiores
    objetos.reciclagemdemobiliario@gmail.com
    913852917


  • No outro dia ouvi uma colega de trabalho queixar-se de que não tem tempo para ir ao ginásio. Que trabalha muito, que anda numa pós-graduação, que chega a casa tarde e muito cansada, que o dia mal para as coisas dela, etc, etc, etc. A conversa não era comigo, por isso, contive-me de rir na cara dela, mas ainda assim não consegui abafar uma pequena gargalhada. É que a dita colega de trabalho tem 26 anos, vive em casa dos pais e naquele minuto fez-me lembrar de uma versão mais nova de mim própria.

    Ora se bem me lembro dos tempos longínquos em que era igual a ela, e partindo da certeza de que trabalha numa agência de publicidade, e não num hospital, exército ou consultora, por exemplo, ter 26 anos e viver em casa dos pais significa:

    - não cozinhar
    - não tratar da roupa
    - não andar sempre a caminho do supermercado
    - não acordar durante a noite para assistir um qualquer dependente
    - não ter grandes contas para pagar (bons velhos tempos em que gastava o meu ordenado em sapatos e viagens...)
    - não ter de pensar nos outros elementos da família quando programamos o nosso dia/noite/ fim-de-semana.

    Assim sendo, e sabendo hoje que, tal como eu, há milhares de  mulheres que têm de fazer todas as coisas acima mencionadas e ainda conseguem ir ao cabeleireiro (de vez em quando, vá), ao ginásio (eu vou três vezes por semana), ao cinema (não consigo, mas sei que há quem o faça), jantar com os amigos (mesmo que seja só uma vez de dois em dois meses), ler um livro (duas páginas por mês, mas não interessa), só posso constatar que as mulheres, depois de serem mães, transformam-se em autênticas mestres na gestão do tempo.

    Como por magia, no dia-a-dia passam a caber todas as actividades pessoais, domésticas, profissionais, sociais e familiares. Sim, sai-nos do corpo, sim, passamos a depender do corrector de olheiras para manter um ar minimamente saudável, sim, quando finalmente nos sentamos no sofá (lá para as dez da noite) parece que estamos em coma, mas uma coisa é certa, ficamos com a certeza absoluta de que todas as desculpas que as pessoas arranjam para não fazer alguma coisa, não passam disso mesmo: desculpas.

    Por isso meus amigos e conhecidos que não têm filhos, deixem-se de tretas e ponham-se a mexer. E quando estiverem comigo ou com alguma outra mãe que trabalha todo o dia, por favor não digam que não têm tempo para nada. A sério. É quase ofensivo.