• Odeio o Inverno, confesso. Não suporto frio, chuva, vento, roupões, meias, collants, luvas, cachecóis e, depois de ser mãe, o raio das viroses. Para mim, depois do Natal, que é sempre aquela altura em que é agradável estar à lareira e sentir o fresco na rua,  devíamos passar logo para os 30ºC. Ou seja, entre Janeiro e Maio o meu humor ressente-se naturalmente e muitas são as vezes em que abro a gaveta dos bikinis para chorar com eles a clausura que o calendário do hemisfério norte impõe. Só que este ano parece que o mês de Janeiro resolveu vingar-se de todo o ódio que lhe tenho e tornar a minha vida num daqueles filmes cómicos dos anos 80 em que tudo acontece aos protagonistas. 

    Tudo começou nos primeiros dias de 2016, os primeiros em que veio frio a sério. O meu marido tenta acender a lareira e eis que a casa parece o dia em que D. Sebastião regressa, isto é, nevoeiro cerrado. Enquanto as crianças dormem a sesta, o marido sobe ao telhado qual limpa chaminés certificado e, após duas dolorosas horas, lá consegue resolver o problema e impedir que andássemos de fatos de neve dentro de casa.

    No dia seguinte a esta aventura, temos a notícia de uma doença muita chata num dos nossos familiares próximos. Boa. Obrigadinha 2016. Ainda bem que comi a porcaria das passas todas e que pedi insistentemente saúde para a família.

    Dias depois, inicia-se uma obra para eliminar o bolor do tecto das casas de banho, o que implica uma semana de obras, pinturas, cheiro a lixívia e banhos rápidos de chuveiro. Ou seja, dias de pó, tinta e chão espezinhado. Tudo bem. Tinha de ser. Está feito e despachado. A coisa começa a compor-se. Aparentemente. 

    Mas eis que, a meio do mês, chega nova virose. Mais febres, tosses, lenços de papel, brufen, ben-u-ron, soro, aerossol, tudo isto vezes dois, que é muito mais divertido. Obrigadinha 2016. Não sei se te lembras mas no meio das passas que engoli à meia-noite também pedi noites de sono. Não precisam de ser todas, mas vá, uma noite de oito horas de sono por semana já não era mau...

    Adiante. Quando a virose passa e temos o primeiro fim-de-semana aparentemente tranquilo, o termoacumulador morre. Sim, no passado Domingo de manhã, água quente nem vê-la. Tomei banho de regador, à antiga. (Para os mais curiosos: ferve-se uma panela grande de água, mistura-se a água quente com a  água gelada que sai das torneiras num regador e toma-se banho como há cem anos. Não é tão mau como parece. Os miúdos acham o máximo, até que começam à chapada a disputar a porcaria do regador, pelo que ao terceiro dia passaram a ir tomar banho a casa da avó.) Quarta-feira tivemos a notícia de que o novo termoacumulador só chega hoje, pelo que, na melhor das hipóteses só amanhã teremos água quente. Tudo bem, tomo banho no ginásio OUTRA VEZ. Quem não adora um balneário húmido com o chão molhado e desconhecidas a entrarem e a saírem?

    Só que essa não foi a única má notícia de quarta-feira. Durante a tarde descobrimos que o lava-loiças entupiu (último andar, tubo de queda mal feito, situação recorrente), o que dá sempre jeito quando temos visitas a jantar. Loiça toda na máquina, o resto lava-se amanhã, pensei eu. Só que quando volto à cozinha para ir buscar o biberão de leite da miúda, está água a sair debaixo da máquina também. Sim. Entupimento a sério. Marido e irmão a tentarem resolver. Nada acontece. Dez e meia da noite. Chama-se o canalizador para a manhã seguinte. Vamos dormir, que amanhã está tudo resolvido.

    Ah espera, não vamos dormir nada, porque o miúdo está outra vez doente e grita e chora e tem de ir para a nossa cama e passa a noite a choramingar e a dar-nos pontapés nas costas. E quando finalmente acalma, a pequenina chama-me. São 5 da amanhã. Quer mais leite, que desde que começou o inverno (precisamente!), acorda toda as noites para o beber. Aposto que quando as noites forem menos frias isto passa-lhe. Sai à mãe.

    A história repetiu-se esta noite, mas está tudo bem. O ser humano adapta-se a tudo, mesmo a enormes temporadas sem descanso. Além disso, o mês está quase a acabar. Faltam dois dias. Eu sobrevivo. Parabéns Janeiro. Ganhaste. Por K.O.




  • Sempre adorei pintar as unhas. Aliás, os anos de prática fazem com que as pinte melhor que muitas manicures e num abrir e fechar de olhos. Gosto de experimentar cores, texturas e tempos houve em que me dava ao luxo de trocar de cor a cada dois dias, só porque sim. Até ao dia em que fui mãe.
    Depois de ser mãe descobri que não vale a pena perder o meu tempo. A não ser que opte por unhas de gel (e não, não é a minha cena). Horas depois de pintar as unhas já o verniz está riscado. Na manhã seguinte já está lascado. E em menos de 48h, com banhos, vestir e despir crianças, mudar fraldas, brincar com Legos, fazer uma sopa e outras refeições, uma ida ao ginásio, este é o resultado:

    Vou voltar ao verniz transparente até eles terem uns dez anos...

  • Ontem terminei o livro que andava a ler desde o ano passado. "Clarabóia" de José Saramago. O livro é óptimo, mas dois bebés em casa com viroses desde o início de Dezembro, não deixam muita margem para leituras, pelo que os livros, mesmo os bons, acabam por se arrastar tempo demais nas minhas mãos.
    Também por essa razão, a escolha do próximo livro a ler é-me sempre difícil. Nos meus tempos áureos de leitora voraz, lia o primeiro que agarrasse. Tinha uma pilha de livros "a ler" e qualquer um servia, porque sabia que ia acabar por ler todos. Agora, com o tempo contado, tenho muito mais cuidado antes de saltar para uma primeira página. Quero ter a certeza de que não vou perder as poucas horas que tenho para me dedicar a este prazer. Num mundo com tantos livros maravilhosos não me posso dar ao luxo de ler os "mais ou menos".
    Felizmente, este Natal recebi quatro livros que tenho a certeza de que são bons, pelo que desta vez não há como errar. Acho que vou fazer um-dó-li-tá. O que acham?

    Um - Vai e Põe uam Sentinela, Harper Lee
    Dó - Uma Rapariga Endiabrada, Nick Hornby
    Li - Contos, Hans Christian Andersen
    Tá - A Estrada Do Esquecimento E Outros Contos. Fernando Pessoa



  • Hoje assinala-se o nascimento de Charles Perrault, o criador do conto de fadas enquanto género literário e de personagens incríveis que ainda hoje marcam o nosso imaginário: Cinderela, Bela Adormecida, Gato das Botas, Capuchinho Vermelho, O barba Azul entre outros. 
    Obrigada, mestre, por nos fazeres sonhar. Eu, pelo menos, continuo a inspirar-me nas tuas histórias.









  • Acabei de descobrir o movimento "Mulher Não Entra", curiosamente criado por homens, que serve apenas para denunciar a NÃO presença feminina no espaço público, mediático e académico.

    Qual a relevância disto? TODA.
    É urgente que todos percebam que estes movimentos não são coisa de feministas. É urgente que todos percebam que não é uma questão de supremacia de um género.  É simplesmente uma questão de dar as mesmas oportunidades a homens e mulheres. Oportunidades não só para chegarem a lugares de topo, mas sobretudo para serem ouvidas.

    Parabéns aos autores desta ideia. Que sirva para que os portugueses aprendam a ver-se ao espelho e todos aqueles que acham que o feminismo é coisa do século passado percebam o quão longe ainda estamos da igualdade.