• Relembro que no sábado dia 7 de Março estarei na EC.ON (escrita criativa online) no âmbito dos Cursos Ícone, para uma conversa e debate sobre estas coisas da escrita.
    Nesta terceira edição dos Cursos Ícone, que além de mim conta com autores como Maria Teresa Horta, Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto, Sérgio Godinho ou Francisco José Viegas, cada autor foi convidado para, numa única sessão, fazer leituras de trechos da sua obra, conversar sobre as suas referências e falar sobre o seu processo de criação.

    Estou empenhada em fazer da minha sessão algo muito informal mas relevante, sendo que o meu grande objectivo é que todos os participantes levem daquela tarde dicas e inspiração para os seus processos criativos.

    Podem inscrever-se aqui, mas apressem-se, porque as vagas são limitadas.

    Vemo-nos por lá?




  • Coisas Que Uma Mãe Descobre (e de que ninguém fala) é uma compilação de crónicas, algumas das quais publicadas aqui no blog, onde partilho a minha experiência na grande aventura da gravidez e maternidade. Mas é mais do que um livro, pois graças às ilustrações da talentosa Sofia Silva, pode ser completado com fotografias e notas de quem lê, tornando-se, no final, um divertido álbum de recordações para as mães.


    Cheio de humor e algum sarcasmo, é um livro indispensável para pais recentes, que descobrem algumas dicas de como lidar com as situações mais inesperadas, para pais experientes, que se vão rever em muitas das peripécias descritas, para pais grávidos, que vão poder preparar-se para o que os espera, e ainda para todos aqueles que nunca quiseram ser pais e que precisavam de novas razões para continuarem a não querer.

    Dia 20 de Março nas livrarias
    Dia 28 de Março, lançamento na FNAC do Chiado!




  • O amor desperta a poesia em nós.
    Ficamos embevecidos com as coisas mais simples, como um pôr-do-sol ou uma música que está a passar na rádio e que nos transporta para um determinado momento a dois. Queremos desesperadamente pôr por palavras o que sentimos, numa mensagem enviada a meio do dia ou, nos dias que correm, num post do facebook. Cometemos loucuras, andamos aluados e a única coisa que importa é a pessoa que nos consegue despertar todas essas emoções.
    Por isso, neste mês que o consumismo transformou no mês do amor, a minha sugestão de leitura (e que certamente dará um belo presente de S.Valentim, para quem gosta de celebrar o dia) terá de ser um livro de poesia. Aliás, dois.


    O primeiro é "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada" de Pablo Neruda, uma celebração ao amor, ao erotismo e à mulher, que o Prémio Nobel escreveu quando tinha pouco mais de vinte anos. Ainda assim, reúne alguns dos poemas mais celebrados da sua obra.




    O segundo é "No reino da Dinamarca" de Alexandre O'Neil, um livro incontornável na história da poesia portuguesa e que contém um dos meus poemas de amor preferidos, "Um Adeus Português".
    (Infelizmente este livro já não está editado, mas todos os poemas se podem encontrar na compilação "Poesia Completa" da Assírio e Alvim)



    Vá, admitam, existe coisa mais romântica do que alguém no sussurrar ao ouvido "torpeço de ternura por ti"?



  • Desde a adolescência que me considero ecologista e, sem cair em fanatismos, assim que comecei a viver na minha própria casa e a tomar todas as decisões de consumo, tornei-me rigorosa na adopção de um estilo de vida o mais sustentável possível. Compro maioritariamente produtos orgânicos, dos detergentes aos iogurtes, tento estar informada sobre as inovações científicas que possam  reduzir a minha pegada de carbono, ando de bicicleta, reciclo, reaproveito, reduzo, enfim, faço todos os pequenos gestos que contribuem para um mundo melhor. Mais, compro carne biológica para garantir que os animais são criados ao ar livre, e peixe pescado à cana para não destruir a fauna marinha que é arrastada pelas redes, para desespero do meu marido, que fica lívido cada vez que compara o preço do quilo dos mantimentos biológicos com os tradicionais (sim, já comprei perú da Serra-não-sei-do-quê ao preço de marisco). Pensava eu que assim, além de uma vida mais saudável, estava a promover a protecção da natureza e que todas essas minhas acções, pela lei do Karma, compensavam o facto de não ser vegetariana e ter diversas peças de vestuário e calçado de pele. Pensava e até já tinha escrito sobre o assunto aqui no blog.
    Foi preciso ver o documentário Cowspiracy para perceber que não podia estar mais enganada. Fiquei em estado de choque. Foi como descobrir que a Terra afinal não é redonda e que todas as associações ambientalistas que sigo e para as quais já fiz alguns donativos, andaram a omitir um problema de dimensões épicas. E se não andaram a omitir, pelo menos não lhe deram o destaque e prioridade que ele merece. Acima de tudo senti que todo o esforço e dinheiro gasto ao longo de tantos anos foram em vão.  Andei armada em ecologista, quando no fundo nunca deixei de contribuir massivamente para o buraco do Ozono e demais desastres ambientais. E qual é esse problema do qual ninguém quer falar? É que a coisa mais poluente e devastadora que existe para o nosso planeta não é o petróleo, mas sim a produção agro-pecuária.
    Senão, vejam o que descobri em apenas hora e meia:

    -  51% dos gases de efeitos de estufa são emitidos por gado e produtos derivados que produzimos para nosso consumo (http://www.worldwatch.org/node/6294)
    - a indústria da carne e lacticínios consome quase 1/3 da água potável de todo o mundo (http://www.forksoverknives.com/freshwater-abuse-and-loss-where-is-it-all-go)
    - a agro-pecuária é a principal causa de extinção de espécies, zonas oceânicas mortas, poluição aquática e destruição de habitats (http://www.epa.gov/region9/animalwaste/problem.html)
    - 100 milhões de toneladas de peixes são capturados todos os anos e 40% não são consumidos (inclui espécies como baleias, golfinhos, tartarugas e tubarões)  (http://ocean.nationalgeographic.com/ocean/global-fish-crisis-article/)
    - a agro-pecuária é responsável pela destruição de 91% da floresta Amazónica (https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/15060)
    - só no Brasil, 1100 activistas ambientais já foram assassinados por denunciarem estes e outros factos (http://www.theguardian.com/world/2009/apr/08/brazilian-murder-dorothy-stang)

    Isto e muito mais é relatado neste documentário que, no final, nos faz querer ir despejar o frigorífico e virar vegan. Como é possível as Greenpeaces da vida andarem há décadas a impingirem-nos o poupe água, poupe energia, largue o carro, diga não ao plástico, salve as focas, quando a coisa mais importante que poderiam dizer era, simplesmente, deixe de comer carne? Não que as outras coisas não sejam importantes, mas quando os dados mostram a peso gritante que agro-pecuária tem na poluição do planeta, não se compreende porque é que não é esse o foco de todos aqueles que dizem querer salvá-lo.
    Honestamente, não sei se algum dia vou conseguir ser vegan, mas estou empenhada em, gradualmente, até porque tenho duas crianças muito pequenas em casa, abraçar o vegetarianismo. Numa primeira fase, vou adoptar receitas vegetarianas ao jantar (as crianças podem comer carne e peixe na escola ou em casa de amigos, sem problema), mais tarde também ao almoço, mantendo o consumo de carne e peixe em locais que não tenham opções vegetarianas. Ou, seguindo conselho de Graham Hill nesta sua conferência no TED, tornar-me uma weekday vegetarian. É que depois de saber o que sei agora, não conseguirei viver comigo própria se não reduzir drasticamente o consumo de carne, peixe e derivados no meu lar.


    PS: Agradeço, do fundo do coração, a todos os vegetarianos e vegans que me quiserem enviar sugestões de receitas, dicas de nutrição, restaurantes e alternativas saudáveis para crianças. Pode ser que um dia consiga substituir o drasticamente, pelo totalmente.