• Sabem como eu detesto o frio e a chuva, não sabem? Para combater a "depressão" de que vou sofrer nos próximos meses tenho uma grande oferta de Outono para os leitores deste blog:

    O meu ebook GRÁTIS!

    Sim, vou oferecer «O Estranho Ano de Vanessa M.» a todas as pessoas que subscreverem este blog até Domingo dia 6.

    Basta colocarem o vosso email na caixinha aqui ao lado




    Muito, muito simples

    Não percam esta oportunidade e partilhem-na com os vossos amigos!

    (olhem aqui os botões de partilha mesmo no fim do post - é só clicar)


  • Todas as mães, por mais extremosas que sejam, já sentiram alguma vez na vida o enorme desejo de tirar as pilhas aos filhos. Seja porque naquele dia a criança está num dia não, fazendo birras atrás de birras (sim, as crianças também têm direito a ter dias não), seja porque estamos tão, mas tão cansadas que não conseguimos aguentar mais um jogo, mais um minuto no parque, mais um "Ó mãããeeee" gritado do outro lado da casa.

    É que as crianças, em geral, têm energia suficiente para dar cabo de um adulto em menos de duas horas e, por muita vontade de estar com elas que se tenha, há dias em que simplesmente só nos apetece fugir, seja durante a semana, seja em períodos de (suposto) descanso.

    Durante a semana vivemos entre o sentimento de culpa de passar o dia longe dos nossos filhos e o alívio secreto de termos um local de trabalho que nos protege da esmagadora rotina de cuidar do lar e de uma criança durante um dia inteiro. (Nalgumas mulheres este sentimento surge ainda durante a licença de maternidade, altura da vida em que os dias nos parecem todos iguais e a falta de vida social se pode tornar esmagadora.) Também vivemos entre os dias em que encaramos as tarefas de chegar a casa, dar banhos, fazer jantar e inventar tempo para brincar com as crianças com prazer e satisfação maternal e os outros, em que só nos apetece adiantar os relógios para a hora de ir para a cama, de modo a podermos "desmaiar" no sofá ou em que pedimos a todos os santinhos que as nossas crias não façam nada que nos possa transformar numa "Mãezilla".

    E se durante os dias de trabalho estes sentimentos são bastante compreensíveis, sobretudo para quem tem vidas profissionais muito exigentes, desengane-se quem acha que ao fim-de-semana eles não nos assombram.

    Ao fim-de-semana, teoricamente, temos tempo para fazer tudo com calma, dar todos os passeios prometidos e fazer os programas de família com que sonhámos durante a semana, mas também é a altura em que passamos mais horas seguidas com os miúdos (48 horas mais precisamente). Assim, é inevitável sentir um desejo secreto de que eles fiquem a dormir até mais tarde e vão brincar para a sala sozinhos (de preferência em silêncio). Ou que prolonguem as sestas por mais de uma hora e meia. Sempre ganhamos esse tempo para recuperar o fôlego de uma manhã extenuante, terminar alguma tarefa doméstica ou simplesmente para fazer o amor, por exemplo. 

    Sem sesta, não há filme, puzzle ou iPad que nos garanta mais de meia hora de descanso, já que, até uma certa idade, a concentração de uma criança numa única actividade é sol de pouca dura e parece que, quanto mais coisas queremos fazer (ou não fazer!), mais ela solicita a nossa atenção. Nesses casos, e como de facto não dá mesmo para lhes tirar as pilhas, resta-nos ter uns avós ou tios extremosos que se ofereçam para ir dar uma voltinha com os meninos ou (e a esses não há dinheiro que pague) os levem mesmo durante um dia inteiro. Uma festa de anos ou o convite para passar o dia em casa de um amiguinho também começam a ser vistos como pequenas bênçãos para os pais de maiores de seis anos.

    Pode haver quem diga que ter estes sentimentos é ser uma má mãe, que se não queríamos ter trabalho não devíamos ter tido filhos, que as crianças não têm culpa e precisam da atenção dos pais, blá, blá, blá. Para mim, isso são comentários de "Mães Aleijadas" ou de quem ainda não tem filhos. Desejar, de vez em quando, que existisse um botão que nos transportasse para uma realidade sem obrigações maternais durante umas horas é normal, é legítimo e nenhuma de nós se deve sentir mal por isso. Se bem me lembro, quando era miúda, também desejava que os meus pais desaparecessem durante um bocadinho para eu poder fazer o que bem me apetecia. 



  • A minha luta por um planeta mais verde não é de agora. Aliás, desde a escola primária que me lembro de ser uma verdadeira activista e a primeira vez que usei a internet (sim, alguns de nós crescemos num tempo em que a Internet era uma novidade) foi para visitar o site da Greenpeace.

    Mas não pensem que me deixei quebrar pelo cinismo da vida adulta. Continuo a acreditar, tal como quando tinha seis anos, que cada gesto meu pode fazer a diferença e, por isso mesmo, ainda que perante o revirar de olhos das pessoas que partilham a minha intimidade, faço questão de comprar detergentes ecológicos, produtos biológicos, tecidos orgânicos, faço questão de não gastar sacos de plásticos nos supermercados, de reciclar tudo o que pode ser reciclado e de vir de bicicleta para o trabalho, mesmo em dias de chuva (ok, admito que são só 2km de percurso, mas não interessa).

    Assim, é com muito orgulho que agora junto o meu blog a uma causa, tornando-o neutro em carbono. Para quem não sabe, mesmo um simples blog produz cerca de 3,6kg de dióxido de carbono por ano. O efeito pode ser anulado se investirmos da reflorestação e preservação das zonas verdes. É isso que a Guiato e outras organizações de todo o mundo estão a fazer. Cada blog que se junta ao movimento representa uma árvore plantada, neste caso específico uma árvore nativa na região de Apucarana, no Paraná, Brasil. E este blog é um deles.





  • Bem sei que é difícil para grande parte dos adultos conceber ir para a praia antes do meio dia. Primeiro, porque a praia faz-se ao fim-de-semana ou nas férias, o que implica não ter horas para acordar. E segundo, porque de manhã ainda está fresco, a areia ainda está molhada e as traineiras ainda estão a regressar às docas. Pois. Mas isso é uma realidade que só existe para quem não tem filhos. Quem os tem, quer queira quer não, tem de redescobrir as maravilhas de fazer praia de manhã. E não são apenas os pais conscientes dos malefícios dos raios solares. São também todos aqueles que têm filhos que acordam pelas sete. Ou seja, milhares de pessoas.

    Não desesperem, porque até há coisas interessantes a acontecer numa praia antes do meio dia. Uma delas é vermos que não fomos os primeiros a assentar arraiais. Há sempre pais que estão com olheiras maiores do que as nossas e que, pelas nove da manhã, já foram duas vezes ao banho. São eles que nos fazem soltar um sorriso ao perceber que afinal a nossa cria não é um demónio tão madrugador como parece.

    Outra coisa interessante é a cumplicidade que se vive entre os diferentes casais. É inevitável uma troca de olhares, um aceno, um simples "bom dia" que contém todo um monólogo do género «Cá estamos nós, todos no mesmo barco, a fazer mais um pequeno sacrifício pelos nossos filhotes. A última vez que estive na praia a esta hora foi no Verão de 2005, a curtir o final de uma bebedeira, depois de fechar a discoteca. Ah, bons velhos tempos... Mas não me interpretem mal, adoro os meus filhos, são uns tesourinhos. Podiam era dormir até às dez. Vá, até às nove já era bom.».

    Depois, também é interessante constatar o diferente tipo de equipamento que cada família leva. São poucos os que se ficam pelo mero chapéu-de-sol e toalhas. Agora há tendas de diferentes tamanhos e feitios, com tecido anti-UV, resistente a ventos e tempestades, com o fundo acolchoado para deitar o bebé, enfim, já para não falar dos brinquedos, das bóias que não se viram, das braçadeiras autoinsufláveis, dos fatos de licra completos (não vá a criança apanhar um raio de sol), e tudo isto transportado em carrinhos de bebé com rodas todo-o-terreno, ou em carrinhos de compras ou até em carrinhos-de-mão (juro que vi!).

    Por fim, há um espectáculo dentro do espectáculo nas praias antes do meio dia que consiste em ver alguns pais a tentarem fazer as mesmas coisas que faziam antes de terem uma prole que requer vigilância constante, nomeadamente: ler um livro (um prémio para quem conseguir sair da primeira página), folhear uma revista (um prémio se conseguirem que nenhuma página seja rasgada), estar deitado a apanhar sol (ahahahahah!) ou comer um gelado sem ter de o dividir com um pequeno ser baboso. Digno de se ver.

    Ao meio dia, quando os comuns mortais finalmente chegam à praia, ainda com os olhos inchados de tanto dormir, o hálito fresco e a roupa de praia incólume, já estão os pais a ir embora, cabelos desgrenhados, bocados de bolacha colados aos calções, suor a escorrer pela cara depois de uma hora a tentar fechar a maldita tenda que se monta em dois minutos, um bebé ao colo, outro a ser puxado pelo braço, enquanto esperneia porque quer ir dar mais um mergulho, meia hora para enfiar tudo no carro e, finalmente, ir para casa descansar, enquanto as crianças dormem a sesta ou se entretêm com um dos cinco mil brinquedos que trouxeram para as férias.

    Os que resistem, levam com olhares incomodadíssimos. Olhares que dizem «acabou-se o sossego» sempre que uma criança lhe pisa a toalha sem querer. Olhares que dizem «devia haver praias interditas a menores» sempre que uma criança lhes salpica as costas ao mergulhar no mar. Pois. Também já fui assim. E agora estou a pagá-las.

  • O desafio foi lançado pelo jornal i: como é que eu, enquanto autora, tenho sido afectada pela crise que vivemos. Esta foi a minha resposta, publicada na edição de 25 de Agosto do dito jornal:

    «No que toca à criação literária, e embora nos meus livros procure explorar temas mais intemporais e goste de contar histórias que deixem os leitores com um sorriso, é impossível ficar indiferente às angústias e aos sentimentos de medo e de revolta característicos de uma crise como a que vivemos. Ela acaba, assim, por influenciar o que escrevo, nomeadamente os textos mais curtos ou de opinião, onde reflicto sobre a actualidade e as pequenas coisas do dia-a-dia.

    No que toca ao acesso e ao apoio à Cultura, durante uma crise, é inevitável assistir-se a uma diminuição dos mesmos. Os governos cortam os programas, as pessoas não têm dinheiro sequer para as coisas básicas, a pirataria aumenta, os artistas precisam de arranjar outros empregos para pagar as contas, os promotores culturais não arriscam... No meu caso pessoal, acabou por ser um factor decisivo para lançar o meu segundo livro de forma independente. As próprias editoras, que cada vez mais são geridas como um negócio, não têm margem de manobra para apostar em projectos sem garantia de retorno.

    Infelizmente, enquanto a Cultura continuar a ser vista como um bem supérfulo, em vez de ser vista como uma vacina contra a ignorância, a intolerância e a maldade, vai sempre ser a primeira a sofrer com uma crise.»







    Podem ler a peça do jornalista Duarte Garrido aqui