• Há livros que não são para todos. Ou porque requerem um conhecimento da História, da cultura do escritor ou da própria língua que não temos. Ou porque estão tão mal escritos que nem dá vontade de passar o primeiro parágrafo. Ou ainda porque o género não nos diz absolutamente nada. Até aqui tudo bem.

    Só que depois há os livros consagrados, considerados por todos os críticos como essenciais, obrigatórios, obras primas da Literatura, e que simplesmente não conseguimos ler. Pegamos neles cheios de expectativa, cheios de certeza de que vão são as horas mais bem passadas dos últimos tempos e acabamos por nos perder logo no início do primeiro capítulo. «Não pode ser. Mas se toda a gente diz que é tão bom, vou ter de ler até ao fim. Se calhar a culpa é minha. Tenho de ler em silêncio. Ou tenho de ler antes de ir para a cama, antes de estar com sono, antes que a família chegue a casa, antes que o gato acorde.» E tentamos lê-lo em diferentes situações e até em diferentes posições. Porém, sempre com o mesmo resultado: um nervoso miudinho, uma voz no cerébro a dizer «esse livro é uma seca! Nunca o vais acabar!», uma certeza de que somos demasiadamente burros para entender tão belas palavras.

    Ora eu, quando um livro me faz sentir assim, burra, não insisto. Simplesmente ponho-o de lado e pego noutro. Mal digo durante uns minutos todos os intelectuais que disseram bem dele e todos os amigos que mo aconselharam, mas não fico a achar que o problema é meu.

    Primeiro, porque penso que um livro realmente bom e realmente clássico deve ser para todos. Não é o leitor que tem de ter um curso de Literatura ou uma cultura geral enciclopédica. O escritor é que tem de conseguir contar uma história de um modo belo, mas inteligível, mesmo quando o tema é mais filosófico ou mais intelectual. E há centenas de autores que o fazem.

    Segundo, porque há tantos livros realmente interessantes a ler ainda nesta vida, que não vou perder o meu tempo com algo que me está a incomodar.

    Tudo isto para dizer que "As memórias de Adriano", de Marguerite Yourcenar, ao fim de setenta páginas foi para o lote dos "livros secantes que não vou sequer tentar voltar a ler". Mesmo ao lado do "Ulisses" do James Joyce (embora este ainda tenha tentado três vezes). Próxima tentativa: "Em busca do tempo perdido", de Marcel Proust. Wish me luck...


  • Paris is so overrated...

    Não consigo encontrar uma expressão portuguesa que traduza melhor o sentimento com que deixei a Cidade Luz. Não é que não tenha gostado. É sem dúvida uma cidade lindíssima, mas não tão mais bonita que outras grandes cidades que conheço.

    Escolhi este destino para celebrar o meu quarto aniversário de casamento por acreditar que seria do mais romântico que há. Já lá tinha estado em 1993 (sim, não estou a ficar mais nova) e então achei que era uma das cidades mais fascinantes do mundo. Os edifícios eram lindos, a Torre Eiffel deslumbrante, os jardins refrescantes, os museus grandiosos, Montmartre inesquecível. A questão que hoje coloco é: será que foram os meus olhos de adolescente deslumbrada que viram Paris com um filtro cor-de-rosa, ou a cidade mudou tanto em 18 anos que está irreconhecível? Pode ser um pouco de ambos, mas o que é facto é que, desta vez, Paris saiu do meu top 3.

    1) a poluição é assustadora. Entranha-se no nariz e aloja-se na garganta, como se tivéssemos fumado três cigarros de seguida

    2) os jardins refrescantes e os museus grandiosos não chegam para tantos visitantes, o que faz com que, perante um Monet ou um Gaugin, desejássemos estar a vê-los num livro, evitando dessa forma os encontrões e as pisadelas

    3) as inesquecíveis ruas de Monmartre parecem os corredores do Colombo em dia de jogo do Benfica, nomeadamente no que toca à “pirosada” por metro quadrado

    4) as Maisons estão invadidas por americanas histéricas, que querem imitar todos os passos da Carrie nos episódios finais do “Sex and the City”, ou por novos ricos chineses e russos que compram tudo o que podem. Só para terem uma ideia, a Chanel da Avenue Montagne parecia uma Zara e na Chistian Louboutain havia uma fila de espera de vinte minutos só para entrar na loja. Perguntei se era por ser fim-de-semana. Responderam que não.

    5) qualquer bistrô com bom ar e com uma esplanada simpática para descansar e trocar juras de amor, não tem nada que custe menos de três euros. É tudo bom e bem confeccionado, mas quando se cobra seis euros por uma coca-cola ( e não, não foi no Ritz) passamos do caro para o assalto à mão-armada

    Podem dizer-me que há outras cidades caras e invadidas por turistas até ao insuportável, mas nem por isso menos fascinantes Sim, é verdade. Mas em Nova Iorque posso fugir para o Central Park e comer um cachorro na rua por um dólar e meio. Em Florença posso evitar os encontrões no centro, deambulando por ruelas quase desertas onde me sento a beber um copo de vinho por um preço aceitável. No Rio posso dar uma escapadela até à Joatinga e saborear um picolé por 3 ou 4 reais. Em Paris não. Não se consegue evitar perder a paciência e todos os euros da carteira , seja qual for o bairro escolhido. Penso que a beleza da arquitectura e o peso da história não são suficientes para compensar tudo isto e ainda a antipatia dos parisienses (com a qual sou agora solidária, pois se vivesse lá também não mostrava os dentes a ninguém). Há lugares tão mais bonitos. A começar por Lisboa.

    Para mim, não há vista em Paris que se compare ao Miradouro da Graça, nem esplanada melhor do que o Pátio 13, nem bairro parisiense mais encantador que o Chiado. Mas fico muito feliz por tanta gente preferir Paris. Vão todos para lá, a sério. Não venham estragar a minha pequena, luminosa e incomparável Lisboa.




    Pôr-do-Sol em Lisboa e em Paris




    Quanto à celebração do 4º aniversário de casamento, não posso negar que jantar em Paris com a Torre Eiffel a cintilar como cenário é, de facto, uma das coisas mais românticas que se pode fazer. Pelo menos uma vez na vida.


    Feito.










  • O meu grande amigo Vasco Palmeirim descobriu 10 razões para convencer qualquer pessoa a comprar o meu livro. Foi um momento tão hilariante do lançamento d'Os 30, que seria uma pena se ficasse apenas na memória de quem o presenciou. É que ainda por cima, e apesar de vivermos na era das tecnologias, ninguém (incluindo eu) se lembrou de filmar. Foi por isso que lhe pedi que escrevesse as tais das razões para a posterioridade. Ei-las.


    5 razões para os homens comprarem "Os 30 - Nada é como Sonhámos"

    1ª - Este romance inclui lésbicas.

    2ª - Este romance inclui possíveis ménages à trois.

    3ª - Este romance inclui miúdas giras que gostam de ver futebol a beber cerveja. Sem copo.

    4ª - Este romance inclui uma adega mais estimulante que a voz do Barry White.

    5ª - Este romance inclui folhados de camarão.


    5 razões para as mulheres comprarem "Os 30 - Nada é como Sonhámos"

    1ª - Este romance inclui sapatos Prada

    2ª - Este romance inclui mulheres a dizer mal umas das outras.

    3ª - Este romance inclui um homem a chorar.

    4ª - Este romance inclui sexo carregadinho de pecado.

    5ª - Este romance é cor-de-rosinha e fica muito bem naquele móvel do IKEA que temos na sala.

    Muito obrigada queridoVasco!

    (para mais momentos de piada extrema, sintonizem as manhãs da Rádio Comercial ou vejam "A Rede" à quarta-feira no canal 15 do Meo. Acreditem que vale a pena)