• Queridos Amigos e Seguidores deste blog,

    Venho desejar-vos Boas Festas e dar algumas sugestões para sobreviverem à quadra:
    - não "stressem" com as compras de última hora;
    - não se irritem com a família (são muitas horas juntos e fechados no mesmo espaço, eu sei);
    - não fiquem furiosos com alguns dos presentes que vão receber, sobretudo quando são de pessoas a quem deram um presente bem giro;
    - não se esqueçam do Guronsan (se se esquecerem, tomem um ben-u-run ao deitar, que também tem óptimos resultados);
    - não peguem no carro;
    - não parem de sorrir, até para a cunhada horrorosa,  a chata da sogra ou o primo que não sabe beber;
    - não percam a paciência com as crianças, mesmo quando fazem birras épicas, e nunca ralhem com elas se estiverem vestidos de Pai Natal (pode causar traumas irreversíveis);
    - não façam contas - o que está gasto está gasto e é para isso que serve o subsídio;
    - não deixem de acreditar que o Pai Natal existe, mesmo se este ano não vos trouxer o que desejam;
    - não criem demasiadas expectativas para o Novo Ano, já que não é o calendário que vai mudar as vossas vidas;
    - não se queixem da quadra - um dia vão ter saudades de ouvir o "All I want for Christmas is you" da Mariah Carrrey e de (quase) todas as pessoas com quem estão a passar o natal hoje.

    Um beijo de flocos de neve,

    Pipa



    PS: A única razão pela qual estão a receber esta mensagem por via electrónica em vez de um tradicional e charmoso postal de cartão, é a minha luta para salvar o planeta. Espero que compreendam.:)
  • A Livraria Lello foi considerada a 3ª melhor do mundo pelo Lonely Planet. Eu concordo.
    Quando lá forem, procurem no piso de cima uma carta de Eça de Queirós aos fundadores. Do lado direito, junto às janelas.

    http://www.publico.pt/Cultura/lonely-planet-classifica-a-lello-como-a-terceira-melhor-livraria-do-mundo_1466651






  • O fracasso da democracia ocidental explicado pelo antigo membro do parlamento inglês, Tony Benn:

    "The idea of choice depends on the freedom to choose, and if you're struggling with debt, you don't have freedom to choose. People in debt become hopeless and hopeless people don't vote. If the poor turned out and voted for the people who represent their interests, it would be a real democratic revolution. They (the established governments) don't want it to happen, so they keep people hopeless and pessimistic.
    (...) There are two ways in which people are controlled. First of all, frightening people and second, demoralizing them. An educated, healthy and confident nation is harder to govern. The top 1% of world's population earns 80% of the world's wealth. It's incredible that people put up with that. But they're poor, they're demoralized and they're frightened, and therefore, they think, perhaps, the safest thing to do is to take orders and hope for the best."

    No caso português, acrescentaria que, aliado a este estilo de governo (infelizmente replicado nas empresas), sofremos de uma falta de civismo e excesso de inveja crónicos. Continuamos a preferir falar da vida dos outros, invejar os sucessos alheios e  votar nos bem-vestidos, nos bem-falantes, nos que nos dizem que está tudo bem, que estamos no primeiro mundo e que a Europa nos salvará, por obra e graça dos espírito Santo. Por isso, é bem feito. Temos o país que merecemos.
    Quanto aos que, como eu, continuam a resistir, a refilar, a enfrentar, espera-nos uma vida de olhares de soslaio, de carreiras estagnadas e de amizades esquecidas. Um preço muito, mas muito pequeno a pagar pela verdadeira liberdade intelectual.



  •     Há coisas que são muito difíceis de explicar e um concerto dos U2 é uma delas. Primeiro, porque é uma banda com mais de 30 anos, ou seja, já andavam a dar concertos quando a maioria das pessoas que vão a concertos não era nascida. Depois, porque, ao contrário de outras bandas com muitos anos de estrada, não ficaram parados no tempo, inovando e criando novas sonoridades a cada álbum. Ora estes dois factores em si fazem com que consigam dar espectáculos únicos, vibrantes e sempre inovadores, mesmo quando a média de idades da banda já vai nos 50 anos.

        É-me impossível ser imparcial quando falo nos U2 porque, para mim, vão ser sempre a maior banda da história da música. Sim, também há os Beatles e os Stones e tantas outras bandas que inovaram e enriqueceram o panorama musical, mas nenhuma vai alguma vez conseguir fazer o que eles fazem. E não tem apenas a ver com a música, nem tem apenas a ver com o palco ou os efeitos visuais, nem mesmo com o seu activismo político. Tem a ver com algo mais profundo. Quem gosta dos U2 não gosta só um bocadinho. É quase como ser de um clube. Não se pode ser só um bocadinho, nem se deixa de gostar só porque não apresenta resultados. É um sentimento mais religioso.

         Ainda assim, às vezes interrogo-me se estarei a exagerar na minha devoção, arriscando andar a leste do que se passa na música actual (interrogação essa que surge mais frequentemente quando saem os cartazes dos festivais de Verão e desconheço metade dos artistas). Faço um esforço para ouvir o que os miúdos ouvem, sem preconceitos, e confesso que há coisas mesmo muito boas. Só que no final deparo-me sempre com o mesmo problema: já fui a quatro concertos dos U2 e, depois de vê-los em palco, todas as outras bandas são entediantes. (O que me leva a um aparte em relação aos pais das crianças que vi no concerto: acabaram de hipotecar o futuro festivaleiro dos vossos filhos.)

         Podem dizer que é delírio meu, que o concerto só vale pela produção megalómana, que eles só foram bons até ao “Joshua Tree” ou que hoje em dia ninguém os ouve. Se calhar a geração anterior à minha dizia o mesmo em 1990. Não sei se os miúdos que estão a conhecer os U2 hoje vibram com o “Get on your boots” como eu vibrei com o “Even better then the real thing”. Mas os estádios não estão esgotados em todo o mundo só por causa dos cotas que vão para ouvir os clássicos e relembrar os velhos tempos. Também não são os cotas que dormem à porta da bilheteira para garantir entrada. Por isso, só posso concluir que a música continua actual, os devotos continuam a crescer e eles são de facto a melhor banda de sempre. A quem tem dúvidas dou apenas um conselho: tentem ir a um concerto e ouçam o “Where the streets have no name”. Se não sentirem nada, é porque não são humanos.


  • Que as mulheres são umas cabras umas para as outras já eu sabia há muito tempo. Pode até não ser por mal, mas é inevitável. E uma das principais razões para a “cabrice” é a inveja. Por mais amigas que sejamos umas das outras, há sempre uma pontinha de inveja em todas as relações femininas. Ou porque o vestido dela é mais bonito, ou porque o biquíni fica-lhe melhor, ou porque está mais magra, ou porque o namorado lhe ofereceu uma viagem a Paris, ou porque foi outra vez aumentada ou pura e simplesmente porque já tem o novo verniz da Chanel e eu não.

    A verdade é que invejamos, mais ou menos declaradamente, todas as mulheres mais bonitas, mais inteligentes, mais engraçadas ou mais bem sucedidas do que nós. Em vez de ficarmos felizes pelo sucesso delas, tentamos sempre fazer sobressair o lado negativo da coisa. Se conseguiu aquele trabalho é porque teve uma cunha, se conquistou aquele giraço é porque deve ser uma devassa, se está em grande forma física é porque é anoréxica e qualquer dia desaparece. Não há volta a dar, está-nos no sangue e quem disser o contrário não está a ser absolutamente honesta consigo própria.

    O que eu não sabia é que há dois momentos na vida em que uma mulher se consegue livrar da cabrice das outras. E esses dois bonitos momentos são quando está noiva e quando está grávida. As palavras “casamento” e “bebés”, ou qualquer um dos seus sinónimos, são simplesmente milagrosas e fazem com que se crie uma efémera solidariedade entre quem as profere e quem as ouve. De repente, surgem músicas românticas, passarinhos, borboletas e muitos corações na cabeça da nossa interlocutora. Não acreditam? Então façam a experiência em qualquer local onde sejam atendidas por outra mulher.

    Quando estava a preparar o meu casamento tive experiências sociológicas difíceis de acreditar. Desde uma certidão que tinha um prazo de entrega de três dias ser tirada na hora, até à empregada da Pollux que foi do “só temos o que está exposto” ao “vou procurar no armazém e se não tiver mando vir ainda hoje” assim que me ouviu dizer que precisava das jarras para a decoração do copo-de-água. E no outro dia, no consultório da minha ginecologista, a quem precisava de mostrar umas simples análises, bastou dizer que ia começar a tentar engravidar para que a recepcionista passasse do “tem de marcar consulta e agora só em Novembro” para o “passe por cá amanhã que, se a doutora não estiver atrasada, pode entrar sem marcação”. Confesso que quase me senti insultada. 

    Foi ao tentar perceber porque é que isto acontece que desenvolvi uma teoria muito deprimente acerca do género feminino: o grande objectivo de vida das mulheres é casar e ter bebés. Ou posto de outra maneira: a ideia criticada há cinquenta anos por Betty Friedan no seu livro revolucionário A Mística Feminina(1963) e por tantas feministas depois dela, de que as mulheres só conseguem encontrar satisfação através da criação dos filhos e actividades do lar, estava afinal correcta. Dizemos que queremos a igualdade, que queremos uma carreira e independência financeira, mas no fundo o que sabe mesmo bem é ter horário reduzido, um marido para pagar as contas e tempo para criar os filhos. Assim, deixamos momentaneamente de ser umas cabras porque vemos ali um reforço para o nosso lado da força, o que nos faz sentir menos mal por afinal ambicionarmos exactamente o mesmo que as nossas bisavós. Além disso, ao ser mãe a outra tem uma enorme probabilidade de não recuperar o corpinho que tinha, o que é sempre motivo de secreta satisfação.

    É uma teoria que me entristece profundamente por colocar em causa todos os sacrifícios que milhares de mulheres fizeram pelos direitos que hoje damos por adquiridos, sem fazer ideia do que custou alcançá-los. Como o direito ao voto, à propriedade e ao divórcio, por exemplo. É um pesado código genético, que herdámos dos tempos em que o objectivo da humanidade era sobreviver e reproduzir-se e que não foi anulado por mais de um século de lutas pela igualdade. Mas o que mais me entristece é saber que é por isto, apenas e só por isto, que as mulheres nunca vão conseguir dominar o mundo. 




  • Há onze anos as nossas vidas cruzaram-se e ficaram enleadas. 

    Enleadas, emaranhadas, entrançadas, fundidas. Irremediavelmente unidas. 

    Já não sei quem era antes. Já não me lembro com o que sonhava. Parece que foi noutra vida, em que eu era outra pessoa. E era necessariamente. Já não consigo imaginar o que ocupava o meu pensamento antes de este estar ocupado por ti.

    Há onze anos atrás as nossas vidas cruzaram-se e ficaram enleadas. 

    São quatro mil e dezoito dias partilhados. Quatro mil e dezoito dias de emoções, momentos, imagens. Quatro mil e dezoito dias em que te tornaste parte de mim. E hoje, para celebrar, gostava de te raptar e passar o dia enroscada em ti, como fazíamos há onze anos atrás, alheados do mundo, mergulhados um no outro sem obrigações. Desfolharia cada rosa que me deste e em cada pétala desvendaria uma das nossas histórias. Porém, não o posso fazer e não tenho nada para te oferecer para além do meu profundo amor.

  • É esta a beleza da literatura: imortaliza os génios para que nunca se perca a sua voz.
    Adeus. Encontramo-nos no próximo livro.


  • No passado dia 23 de Abril foi o Dia Mundial do Livro e, na altura, apeteceu-me escrever acerca das  invenções tecnológicas que pretendem substituir o clássico e intemporal livro de papel. No entanto, não consegui formular um discurso suficientemente interessante. Não queria simplesmente escrever que não gosto de Kindles e iPads, que não vivo sem o toque e o cheiro das folhas de papel, que não há nada melhor do que abrir um livro que já lemos e ver as marcas que fomos deixando em cada página: lágrimas, areia da praia, uma nota, um bilhete de avião...
    Eis senão quando me deparo com este vídeo no YouTube:



    Chamem-me antiquada, mas eu não vivo sem a minha estante colorida com as lombadas dos livros que  passaram pela minha vida.
  • Só quero passar o dia com os meus lábios colados aos teus.


  •  O tempo é demasiado curto para o perdermos com pessoas que não nos dizem nada.