• Chegámos à era da tirania das tecnologias. Ou estás por dentro, ou não existes. Basicamente é isso que me tem acontecido enquanto luto para resistir, não à tentação, mas antes à imposição de me inscrever no Facebook.

    Ora para que é que servem estas redes sociais? Para actualizares o teu perfil e colocares todo o tipo de informação: o que é que fazes, o que é que gostas de fazer, onde é que foste de férias, que música andas a ouvir, que filme te deixou de boca aberta, que blog andas a acompanhar, enfim, todas aquelas informações que nós, seres humanos nascidos antes de 1990, costumávamos partilhar cara a cara à mesa do café ou no sofá lá de casa.

    Podem dizer-me que isto é bom, que é uma maneira de estar em contacto com inúmeras pessoas que deixámos de ver, que mudaram de cidade, etc. Sim, aceito esse argumento no que toca a reatar contactos e manter os amigos a par do nosso dia-a-dia a quilómetros de distância. Mas a coisa passa dos limites quando até os convites para jantar, festas, idas ao cinema passam a ser feito através destes sites.

    Ou seja, não só as pessoas já não falam umas com as outras para partilhar as pequenas coisas que constroem a nossa existência, como mesmo quando precisam de falar, preferem fazê-lo através do Facebook e afins. E sim, já fiquei de fora de várias eventos sociais porque continuo sem aderir ao dito cujo e toda a gente presume que eu vi o convite. Como se não bastasse a tirania do sms.

    Hoje vou ter amigos lá em casa. Vou preparar um jantar com o pretexto de vermos as fotografias das férias uns dos outros. Podia simplesmente pôr as fotografias no Facebook para todos verem e comentarem, mas continuo a ser daquelas pessoas antiquadas que preferem ouvir gargalhadas, abraçar quem se gosta e brindar com um copo de vinho de verdade.