• Foi na adolescência que decidi que queria ser jornalista. Em primeiro lugar, porque, à data, era a única carreira que eu conhecia que me permitiria passar o dia a escrever e depois, porque sempre quis lutar contra as injustiças e desigualdades do mundo e achava que o jornalismo me permitiria expô-las publicamente, tornando o mundo um bocadinho melhor. Sim, eu ia ser como o Bob Woodward, a Diane Sawyer, a Lois Lane! Ah, a ingenuidade da adolescência…

    Não foi preciso avançar muito no curso de Comunicação Social e Cultural para perceber que a minha visão romântica do jornalismo era irrealista e que o que se esperava de uma redacção no século XXI era a criação conteúdos. Porque conteúdos interessantes vendem e se vendem há mais publicidade e se há mais publicidade há mais dinheiro. Para os accionistas. A verdade é um detalhe, ouvir todas as partes só se der tempo e há temas demasiado deprimentes e sobre os quais ninguém quer ouvir falar. Quem é que quer saber da mutilação genital feminina que acontece em solo português, quando o Cristiano Ronaldo acabou de ser pai recorrendo a uma barriga de aluguer?

    Ainda assim, entre colegas de curso que enveredaram pelo jornalismo, jornalistas que vi trabalhar durante o estágio que fiz na SIC e outros que fui conhecendo ao longo da minha vida profissional, sei que muitos há que continuam a lutar para noticiar factos, longe do circo mediático, ouvindo todas as partes e em cumprimento com o Código Deontológico. Muitos, mas não os suficientes para manter a qualidade e idoneidade dos meios de comunicação social portugueses.

    Há muitas razões para haver mau jornalismo, a começar, como já referi, na pressão para criar conteúdos relevantes a uma velocidade cada vez mais estonteante. Já não há tempo nem dinheiro para fazer jornalismo de investigação e, muitas vezes, os jornalistas acabam por não fazer o seu trabalho como gostariam porque há que fechar o jornal ou entrar em directo para a televisão. A isso aliam-se as linhas editoriais duvidosas, a substituição de jornalistas experientes por estagiários acabadinhos de sair da escola e ainda a extinção dos revisores, como se os correctores automáticos do computador pudessem tomar o seu lugar.

    Mas ainda assim, com todos estes motivos que podem desculpabilizar algumas gaffes, incoerências ou notícias mal explicadas, não há desculpa para tudo.

    Não há desculpa para os erros ortográficos e gramaticais. Isto deveria ser ponto assente em qualquer profissão, mas é muito mais grave em qualquer área da comunicação.

    Não há desculpa para confundir um anúncio com uma notícia. Como não devia haver desculpa para transformar em notícias publicidade disfarçada de nota de imprensa.

    Não há desculpa para trocar o nome a um convidado (já me aconteceu mais do que uma vez). Revela falta de atenção e algum desrespeito. A maioria dos convidados de programas de informação e mesmo de entretenimento fazem-no de graça. Roubam horas às suas actividades profissionais ou pessoais para responderem a um convite, para irem falar sobre um assunto que os editores do meio em questão consideram importante para o seu público.

    Não há desculpa para dar tempo de antena a curiosos que iam a passar no local e não têm absolutamente nada de relevante para acrescentar. Isso não são testemunhas, nem fontes, nem coisa nenhuma.

    Não há desculpa para dizer primeiro e confirmar depois. As notícias são protagonizadas por pessoas. As pessoas têm vidas, famílias e não vale tudo para ter um furo.

    Não há desculpa para entrevistar pessoas que acabaram de perder alguém e nem sabem o que estão a fazer.

    Não há desculpa para ser enviado para um país estrangeiro em reportagem ou tentar entrevistar alguém de outra nacionalidade sem falar uma outra língua. É constrangedor assistir a cenas dessas. Eu, pelo menos, sinto uma enorme vergonha alheia.

    Não há desculpa para fazer copy/paste das notas de imprensa recebidas ou, pior, dos textos dos colegas de profissão. Isso não é falta de tempo: é falta de brio.

    Não há desculpa para não se tirar o rabo da cadeira e preferir fazer entrevistas por email. Ao menos não lhes chamem entrevistas.

    Não há desculpa para muito do que se vê publicado ou que é divulgado pelos órgãos de comunicação deste país. E o problema não é só deste país.

    Cada dia tenho mais dificuldade em encontrar um meio no qual confie. Leio tudo com um pé atrás. Porque lá está, os bons jornalistas que trabalham em cada um desses meios, não compensam os maus. O que é pena, porque ainda há, de facto, alguns jornalistas muito bons. E cada dia fico mais agradecida por ter acabado por enveredar por outra profissão, uma que também anda pelas ruas da amargura, uma que também tem a sua dose de colegas que envergonham a classe, mas isso seria assunto para uma outra crónica.

    E a questão que se coloca é, precisamente, a que dá título a este desabafo. Neste mundo instantâneo, descartável, onde se socializa mais por detrás de um teclado do que cara a cara, onde o que interessa são os números e os lucros, haverá salvação para o jornalismo?

  • Quando tenho falta de tempo, o blog é que paga. Bem que me tento disciplinar para escrever pelo menos uma ou duas vezes por semana, bem que aponto no meu caderninho ideias para crónicas que gostava de escrever e assuntos que gostava de explorar, mas no final do dia, entre trabalho, filhos e livros, é impossível ter energia para andar por aqui. E agora com o lançamento do meu novo romance, ainda pior. Pior no sentido de negligenciar o blog.

    Porém, não podia deixar de fazer o convite oficial aos seguidores deste blog para esse lançamento! Vai ser na quarta-feira, dia 7 de junho, pelas 18.30 no espaço do Grupo Porto Editora na Feira do Livro de Lisboa.

    Espero que apareçam. Mesmo que não comprem o livro, que eu como leitora bem sei que a Feira é uma perdição e não dá para comprar todos os livros que gostaríamos, apareçam para dizer olá, boa?

    Até lá!




  • «Amanhece na cidade.

    É outro dia.

    O asfalto, ainda frio das horas soturnas, começa a reluzir assim que tocado pelos primeiros raios de sol. Folhas de árvores rodopiam pelos passeios, embaladas pelo sopro que a passagem do primeiro autocarro da manhã provoca. Um copo de plástico, que toda a noite balouçou junto ao lancil, aninha-se na curva da estrada, junto a um novelo de cabelos e cotão, vestígios de um dia anterior.


    Amanhece na cidade.

    É outro dia.

    Aos poucos, os sons de diferentes acordares começam a misturar-se até se tornarem uma espécie de melodia. Primeiro os murmúrios: “bom dia”, “acorda”, “olá, amor”, “dormiste bem?”, “já são horas”. Depois os gritos: “desliga o despertador”, “ainda estás deitado?”, “vamos chegar atrasados”, “Levanta-te!”. Primeiro os pézinhos-de-lã, depois as passadas barulhentas. Primeiro a máquina do café, a chaleira, o chuveiro, a persiana. Depois as televisões, os elevadores, os motores, as portas que batem abafando  com o seu estrondo um “até logo”. Primeiro os objectos, depois as pessoas, que chegam e partem desta praceta onde me encontro, indistintas de todas as outras pessoas que chegam e partem de cada uma das ruas de Lisboa ou de qualquer outra cidade. Pessoas com pressa, pessoas com tempo, pessoas que tomam o café à janela, pessoas que refilam, pessoas que bocejam, pessoas cujos gestos são sempre os mesmos, levantar a grade, varrer o chão, correr, entrar no carro, acenar, voltar atrás, passear o cão, respirar fundo, recomeçar. Como se cada novo dia não fosse mais do que a continuação do dia anterior. Como se cada dia não encerrasse em si o potencial de ser totalmente diferente. Tal como os prédios onde vivem, que não se desviam um milímetro do espaço onde estão alicerçados, também as pessoas não se desviam muito das suas rotinas. Acomodadas. Expectantes. Passivas.

    Gosto de pessoas. São o meu passatempo preferido. Aliás, gosto tanto de pessoas que chego a afeiçoar-me até às que não merecem que se goste delas. E fico especialmente fascinado com esta coisa de encararem a vida como algo que corre independentemente delas próprias, como se não fosse preciso fazer nada senão deixá-la avançar ao seu ritmo imperturbável, como se fossem viver para sempre. Divirto-me com o modo egocêntrico com que ignoram completamente o seu verdadeiro lugar na ordem das coisas. Alegro-me com o facto de acharem-se importantes e especiais, quando na verdade não passam de meras partículas na história do Tempo. São ínfimas as que apreciam verdadeiramente aquilo que têm ou aquilo que são; e mais ínfimas ainda as que têm consciência da sua verdadeira insignificância na vida do planeta, este pequeníssimo ponto que gravita em torno de uma de cem mil milhões de estrelas, que compõem uma de duzentos mil milhões de galáxias de um dos vários universos possíveis.

    Ainda assim, como seria o mundo sem elas? Sem os seus pecados e virtudes? Sem aquelas frases feitas que repetem para se sentirem melhor com a sua mortalidade e com a ignorância acerca dos mistérios do Universo, “tudo tem uma razão", “nada acontece por acaso”, “foi a vontade de Deus”, “oxalá”, “é o destino”? Sem a sua busca pela perfeição e pelo sentido da vida? E se nada fizer sentido? Por que raio havia de fazer?

    Ah, as pessoas... O que mais aprecio neste meu jogo de observá-las e adivinhar a vida de quem se cruza comigo é não precisar que me contem o que quer que seja. Gosto de deduzir, desvendar, apreender as suas histórias pelo simples estudo dos seus trejeitos. Por exemplo, para a maioria dos transeuntes que atravessam a praceta, a mulher que acabou de sair do 12 A não é mais do que uma miúda de aparência vulgar, adjectivo que até seria adequado se apenas tivéssemos em conta a indumentária pouco provável para uma manhã de um dia de trabalho: camisa de cetim demasiado decotada e sapatos com saltos demasiado altos. Está afogueada, tem o cabelo molhado e divide o olhar entre o interior da mala, para verificar se tem todos os seus pertences, e o telemóvel, que manuseia a uma velocidade estonteante. Dirige-se para o metro. Ainda terá de caminhar um bocado.

    Porém, se reparassem melhor, depressa notariam que não está assim vestida por ser vulgar. Aquela foi a indumentária que escolheu para uma saída à noite que, inesperadamente, terminou numa casa que não era a sua. Reparem agora no modo apreensivo com que franze o sobrolho, não só por saber que vai chegar atrasada ao local de trabalho, mas sobretudo por não ter tempo para ir a casa mudar de roupa. Para evitar olhares de desdém, os mesmos que já começa a sentir dos tais transeuntes que a julgam vulgar, certamente irá comprar uma camisa ou blusa mais discreta na primeira loja que encontrar a caminho do escritório. Os pés, esses, terão de aguentar os saltos excessivamente altos todo o dia. Está irritada consigo própria por ter adormecido naquele lugar e mais irritada ainda por ter gastado todo o dinheiro que tinha em copos e agora ter de ir de metro, quando lhe teria dado muito mais jeito apanhar um táxi. E todo este transtorno por uma noite de sexo banal. Como sei que foi banal? Porque se tivesse sido bom, nada disto importaria. Estaria de sorriso nos lábios e até se esqueceria das dores nos pés. Dificilmente tornarei a vê-la entrar ou sair daquele prédio que não lhe pertence. É apenas mais uma das mulheres que por lá passam.

    Não, não sou adivinho, nem um ser omnipresente. Não, não sou detective, nem espião. Só que ando nestas ruas há tantos anos que em poucos segundos consigo perceber o que escondem os gestos de cada pessoa que se cruza no meu caminho. E se entrarem e repousarem na minha napa preta, consigo desvendar todos os seus mistérios pelo simples sentir da pulsação. Também há o cheiro que emanam, o tipo de perfume que usam, o género de roupas que envergam, os acessórios com que se adornam, os sotaque e as expressões que utilizam, mas o coração é o mais fiável. Tum-tum. A ansiedade. Tum-tum. A paixão. Tum-tum. O medo. Todas as emoções têm o seu ritmo e, por mais que o tentem ocultar mudando o semblante, afinando a voz, escolhendo as mentiras que vão dizer, o bater do coração nunca mente. E mesmo quando tenho de recorrer à imaginação para colmatar alguma falha na história, não é nada que mude a essência das coisas, porque essa está lá, dentro destes seres que tanto me fascinam.

    De qualquer modo, pouco importa desvendar como sei o que sei. O que realmente importa é partilhá-lo convosco, não é verdade? Porque, quer queiram admitir quer não, todos vocês têm curiosidade em saber mais sobre a vida dos outros. Não conseguem deixar de espreitar por uma porta entreaberta, ignorar a conversa da mesa do lado, questionar por que razão fulano deixou a mulher ou sicrano ficou rico. A curiosidade está-vos no sangue. Daí o sucesso das telenovelas, dos jornais sensacionalistas e dos reality shows. Não é a mera busca de entretenimento fácil, muito menos um interesse antropológico. É puro voyeurismo. O prazer secreto de saber mais sobre os outros do que eles sabem sobre vós. De ver sem ser visto. De conhecer as suas histórias mirabolantes, aventureiras, pecaminosas, ou simplesmente banais. A vossa existência ganha significado pelas histórias de todos os dias. Por comparação. Por oposição. Por confrontação.

    Então, deixem-me começar pelo mais simples: a história por trás das mãos que me guiam.»


    in Amanhece na Cidade, de Filipa Fonseca Silva, Bertrand Editora 2017

    NAS LIVRARIAS A 9 DE JUNHO!


  • Hoje é aquele dia fofinho em que toda a gente apregoa aos quatro ventos o quão maravilhoso é ser mãe. O dia em que nos lembramos de todas as coisas boas que os nossos rebentos adoráveis nos dão: os beijinhos lambuzados, os abraços que nos atiram ao chão, os desenhos coloridos que fazem para nós, o colinho e o cafuné no sofá, o elogio da professora no caderno de recados. O dia em que recebemos mais um miminho feito na escola, que não fazemos ideia onde colocar, se bem que tem de ser num local visível, não vá estarmos a reprimir um potencial Rodin.

    E no meio de tanta flor e de tanto coração, não há muitas mulheres que tenham a coragem de dizer, sobretudo num dia como o de hoje, em que os nossos anjinhos até nos levaram o pequeno almoço à cama, que isto de ser mãe é muito bonito mas tem certas e determinadas especificidades que nos tiram do sério.

    Pois bem, em nome da verdade, eu digo-o. E digo também quais são, precisamente, as dez coisas que mais detesto nesta aventura de ser mãe, por nenhuma ordem em especial.

    1) Ouvir «mamã!» trezentas vezes só na primeira hora do dia. Eu sei que um dia vou ter saudades, mas há dias em que é de mais. Cada frase proferida por um deles é precedida de uns quatro ou cinco mamãs, na melhor das hipóteses.

    2) Ser interrompida quando estou a falar com outras pessoas, por motivos tão importantes como «afinal a minha bola estava na varanda».

    3) Acordar mais cedo do que teria de acordar se não tivesse filhos, sobretudo aos fins de semana.

    4) Ter de fazer, ou pelo menos planear, o jantar diariamente. (Por falar nisso, esqueci-me de descongelar o jantar de hoje, por isso o menu é esparguete com atum. De lata. Outra vez.)

    5) Estar cheia de sono quando consigo finalmente sair à noite com os meus amigos, tendo então de me render à evidência de que já não tenho pedalada (nem paciência) para acompanhá-los.

    6) Gastar dinheiro em roupas e sapatos que só duram, no máximo, seis meses, quando há por aí tanta coisa gira que eu poderia comprar para mim e fazer durar uma vida.

    7) Ter de dizer vinte vezes para lavarem os dentes, ou calçarem os sapatos, ou sentarem-se à mesa. Todos os dias.

    8) Não conseguir tomar um banho sem que ninguém me interrompa.

    9) Quando eles falam comigo ao mesmo tempo, cada vez mais alto para que a voz de um se sobreponha à do outro, esperando que eu responda simultaneamente aos dois. Pior, quando fazem isto no carro.

    10) Ter de falar de manhã.

    Sim, hoje é dia de flores e corações cheios. Mas, mamãs felizes de todo o mundo, nos outros dias, aqueles em que vos passa pela cabeça a grande interrogação «mas por que me meti nisto?», lembrem-se desta lista e de que não estão sozinhas.


  • É já no domingo que se celebra o dia da Mãe, data que nenhum filho querido pode deixar passar ao lado sob pena de levar com um sorriso amarelo a disfarçar o desapontamento. Basta um cartão comprado no supermercado, umas flores apanhadas no jardim ou um pequeno-almoço na cama para deixar qualquer mamã derretida, mas para quem gosta de aproveitar a data para dar um miminho extra, aqui ficam as minhas sugestões, como sempre vindas de empresas nacionais.

    Uma viagem surpresa
    Oferecer um fim-de-semana já é em si uma surpresa, mas e se o destino for mesmo surpresa até ao dia do embarque? É isso que faz a Chocolate Box, uma agência de viagens que prepara escapadelas de 3 dias numa cidade europeia com um guia de bordo com dicas personalizadas. Se quiserem aproveitar a dica, podem ter 10% de desconto usando o código CDFV10, uma oferta aqui do blog para todos os seguidores.


    Uns óculos mesmo giros
    E sustentáveis! E com lentes polarizadas 100%UV! Já aqui falei da SKOG  várias vezes, por ser uma marca portuguesa, sustentável e muito, muito acessível, mas não me canso de os recomendar. Usem o código SUNNY e tenham 10% de desconto, que mãe há só uma e eu hoje estou uma mãos largas.

    Um kit de ervas aromáticas 
    Não há nada como a comidinha da mamã, que com certeza só terá a ganhar com um toque de ervas aromáticas cultivadas pela própria. Com os kits da Life in a Bag, apresentados de forma superoriginal em potes de cortiça, é só regar e esperar pelas folhinhas de manjericão para aquela massa fantástica ou pelas de hortelã para um belo Mojito, por exemplo.



    Sabonetes irresistíveis
    Da tradicional e cada vez mais internacional Claus Porto, que podem ser comprados avulso ou em caixas de oferta com várias unidades. Para quem não conhece, acreditem quando vos digo que são mesmo fantásticos.


    Infusões biológicas
    Porque uma mãe precisa de relaxar. As da Herbas são feitas a partir de ervas tradicionais portuguesas, de produção biológica, que crescem no sopé da Serra dos Candeeiros. Há muitas variedades, todas deliciosas, mas a de lúcia-lima é qualquer coisa. À venda na eco concept store Organii no LX factory.


    O livro que todas as mães deviam ler
    Oferecer um livro é sempre uma boa ideia, mas este, modéstia à parte, é mesmo giro. Pelo menos para as mães cheias de sentido de humor. E imaginem a coincidência: também está com 10% de desconto na Wook.



  • As notícias recentes de novos surtos de sarampo em Portugal e noutros países onde a doença estava quase erradicada não é algo que me surpreenda verdadeiramente. Porquê? Porque também eu, durante a minha primeira gravidez, andei a ler todos os disparates que os gangues anti-vacinas tentam disseminar e, por uns três ou quatro dias, cheguei a achar que tinham razão.

    A primeira coisa que me apraz dizer sobre as teorias do "vacinar é perigoso e um bom sistema imunitário é o suficiente para sobreviver a qualquer doença" é que, à primeira vista, elas são muito apelativas sobretudo para quem, como eu, sonha com um mundo menos tóxico e mais natural. No entanto, bastou-me investigar um bocadinho para perceber que todos os seus argumentos são falsos. Como em tudo na vida, informação é poder.

    Começam por nos tentar convencer que a maioria das doenças contra as quais vacinam os nossos filhos não são graves e que é muito mais perigosos para um bebé estar sujeito a todos os componentes tóxicos das vacinas e respectivos efeitos secundários do que ter a doença em si. Mentira. As doenças que estão contempladas no plano nacional de vacinação podem ter consequências muito graves, tão mais graves quanto menor for a idade da criança e, além disso, os efeitos secundários das vacinas estão mais do que estudados e controlados. Antes de ser vendida uma vacina é sujeita a anos e anos de testes até provar que é segura. Mais, a idade em que são administradas também tem sido alvo de estudos. Daí chamar-se um plano de vacinação. A mim também me fez impressão dar uma vacina aos meus filhos quando eles nem 24 horas de vida tinham. Nomeadamente a vacina da hepatite B, não estando eu num grupo de risco. Mas quando questionei o pediatra de serviço ele respondeu-me que claro que eu podia não dar, desde que conseguisse viver com a decisão caso o bebé, por qualquer razão, viesse um dia a contrair a doença.

    A seguir estas pessoas argumentam que os seus filhos nunca foram vacinados e nunca ficaram doentes. Pois não. Porque as vacinas funcionam quando mais de 90% do grupo está vacinado. Ou seja, os filhos dos fanáticos anti-vacinas só não ficam doentes porque os outros meninos estão vacinados e estas doenças já quase não existem na comunidade. O que, como se está a ver nas notícias, está a deixar de acontecer.

    Depois ainda vêm com a história de que as vacinas são um negócio para enriquecer a indústria farmacêutica e que a maioria delas não serve para nada. Este foi o argumento que mais me abalou na altura, porque também eu não simpatizo com a indústria farmacêutica enquanto negócio milionário e sou adepta (com resultados comprovados) da homeopatia. No entanto, sou também uma crente nos avanços da ciência e dou graças por ter nascido num país onde não tenha de assistir à morte de crianças por doenças como a cóĺera ou a difteria. Além disso, prefiro estar a contribuir para o enriquecimento de algumas pessoas com poucos escrúpulos mas ter os meus filhos vivos e com saúde, do que pôr em risco o seu bem estar em nome de teorias da conspiração. A medicina tradicional e as medicinas alternativas devem ser complementares, e não opostas. Eu gosto muito de tratar constipações e maleitas menores sem recorrer a medicamentos, mas quando falamos de doenças graves ou que põe em risco a saúde pública, tenham paciência. Há uma razão para a mortalidade infantil ter diminuído drasticamente nos últimos trinta anos. Chama-se Evolução da Medicina.

    Por fim, estas pessoas irresponsáveis agarram-se a uma teoria não comprovada que apresenta o autismo como um dos efeitos secundários das vacinas. Esta teoria, que até já teve honras de ser apresentada em programas como a Oprah, é baseada no estudo de um pseudo-investigador em doze crianças. Sim, doze. Estudo esse que tem sido replicado por outros investigadores com resultados diferentes. Estudo esse que, sabe-se agora, foi manipulado. As vacinas não causam autismo. As vacinas previnem doenças e epidemias e atenuam os efeitos dessas mesmas doenças. As vacinas salvam milhões de vidas. É pena que ainda não haja uma vacina que nos salve da estupidez humana.







  • Se há coisa que me choca nos dias que correm é, após cerca de 160 anos de luta, ainda haver quem não entenda o que é ser feminista. Sobretudo as próprias mulheres. Não são poucas as que afirmam orgulhosamente “eu cá não sou feminista”, com o mesmo ar com que diriam não sou comunista, não sou fascista, não sou terrorista. Tal como muitos há que consideram que, agora que o direito ao voto, ao divórcio e em alguns casos ao aborto são dados adquiridos, não há razão para continuar com histerismos. Pois que dia melhor do que o de hoje para esclarecer as mentes mais distraídas?

    Começo por vos elucidar sobre o que ser feminista NÃO É.

    Ser feminista não é ser contra os homens ou as diferenças entre géneros.

    Ser feminista não é negar a feminilidade, os padrões de beleza ou o cavalheirismo.

    Ser feminista não é querer acabar com o nosso papel fundamental enquanto mães, educadoras e cuidadoras do lar.

    As feministas não são mulheres ressabiadas, normalmente solteironas ou divorciadas (porque não há quem as ature) que querem castrar os machos, subjugá-los e reduzi-los a dadores de espermatezóides enquanto a ciência não conseguir dispensá-los na tarefa de propagação da espécie. Também não são todas lésbicas ou fornicadoras implacáveis que se recusam a casar e procriar só para mostrarem que são modernas.

    Isto porque o feminismo não é o contrário do machismo. Não pretendemos sobrevalorizar as características físicas, intelectuais ou morais do género feminino em relação ao masculino. Não nos consideramos superiores ou mais capazes, nem queremos impor à sociedade uma sociedade matriarcal. Queremos simplesmente igualdade.

    Posso então passar a enumerar o que É ser feminista.

    Ser feminista é respeitar as características de cada género (qualquer género), livres de padrões opressores patriarcais.

    Ser feminista é lutar pela igualdade. Porque embora a primeira geração de feministas tenha conseguido o direito ao voto e à propriedade, e a segunda geração tenha conseguido o direito ao divórcio, à independência dentro do casamento e ao aborto (ou pelo menos à possibilidade de escolher quando engravidar), cabe-nos a nós, a terceira geração, lutar pela igualdade salarial, pela igualdade no acesso a cargos políticos e administrativos relevantes, pela igualdade de tratamento dentro das empresas.

    Ser feminista é lutar para que a violência sexual, incluindo a que acontece dentro do casamento ou namoro, seja vista por toda a sociedade como algo tão repugnante como a pedofilia.

    Por isso, sim: o feminismo continua a ser necessário. E continuará a ser enquanto não houver em todos os sectores, públicos e privados, salário igual para trabalho igual; enquanto houver olhares de esguelha sempre que uma mulher anuncia que está grávida/ a usufruir da redução de horário por amamentação/ vai ficar em casa com os filhos doentes; enquanto houver mulheres a insinuarem que determinada colega só teve sucesso porque é bonita ou foi para a cama com alguém; enquanto continuarem a perguntar às miúdas de vinte e poucos anos nas entrevistas de emprego se estão a pensar casar-se e ter filhos nos próximos anos; enquanto tivermos de impor cotas para mulheres seja onde for; enquanto houver condescendência; enquanto as escritoras, pintoras e demais artistas não tiverem o mesmo destaque que os homens nas prateleiras das livrarias e nas paredes dos museus e galerias; enquanto houver mães a dizerem às filhas que não podem ir para o futebol porque são meninas, ou aos filhos que não podem ir para a dança porque são meninos.

    E a culpa de ainda precisarmos do feminismo é precisamente das mulheres. Porque se somos nós que criamos e educamos os nossos filhos, se somos nós que nos deitamos com os nossos maridos, se somos nós que cuidamos dos nossos pais, como é que ainda estamos tão longe de alcançar a igualdade? Como é que, ao longo de mais de um século não conseguimos desfazer os preconceitos e educar mentalidades? Porque somos as nossas piores inimigas. Porque perdemos tempo com coisas pequenas, intrigas e invejas, mas sobretudo porque cuidamos primeiros dos outros e só depois de nós. Se gastássemos metade da energia que gastamos em fofocas a falar das coisas que é preciso mudar, se lutássemos pelos nossos direitos com a mesma ferocidade com que lutamos pelos nossos filhos, se pedíssemos justificações aos nossos empregadores com a mesma determinação com que pedimos justificações à gaja que se meteu com o nosso namorado, já não estávamos a ter (mais uma vez!) esta conversa.

    O feminismo para uma mulher não devia ser uma opção. Devia ser uma obrigação, um modo de vida. E para os homens, que amam profundamente as suas mães, as suas irmãs e as suas filhas, uma causa pela qual lutassem com fulgor.



    #nãomecalo










  • Hoje escrevo-vos como embaixadora do concurso de fotografia Um Click por ELA, uma iniciativa que visa despertar consciências para a doença neurológica degenerativa Esclerose Lateral Amiotrófica.

    Esta doença rara, altamente debilitante, não escolhe idades nem estilos de vida e, por enquanto, não tem cura. Como em qualquer doença rara importa divulgar a sua existência, apoiar os doentes para que tenham o mínimo de qualidade de vida e investir na investigação.
    E é precisamente para isso que serve este concurso de fotografia. Um concurso no qual podem participar todos os fotógrafos, amadores ou profissionais, e cujos trabalhos selecionados pelo júri serão expostos em diversos eventos e instituições. Os vencedores de cada categoria receberão ainda um prémio.

    Mas apressem-se que as inscrições terminam já no dia 5 de Março!

    Eu sei que é um bocado em cima da hora, mas tenho a certeza de que há por aí muita gente com trabalhos na gaveta prontinhos a serem enviados.




  • Nos últimos anos, como já todos estão cansados de saber, Lisboa transformou-se numa das capitais mais apetecíveis do mundo. Prémios, artigos, reportagens, votação do público, votação de especialistas. É unânime para todos o que nós, portugueses, já sabíamos: Lisboa é uma das cidades mais espetaculares do planeta.

    Com toda esta atenção chegou o dinheiro para obras necessárias, que tornaram e continuam a tornar a cidade cada vez mais bonita, e chegaram também os hotéis sofisticados, os restaurantes premiados, as lojas mais fashion, os terraços, as esplanadas, os prédios devolutos de cara lavada, os museus dinamizados, os comerciantes mais abastados, os turistas boquiabertos e nós, os que cá vivemos, cada vez mais inchados com todo o reconhecimento. Sem ironias, que eu sou daquelas que me regozijo com o fenómeno e prefiro ter um hotel de 5 estrelas na Baixa do que um prédio a cair de podre, tal como prefiro ter ciclovias e esplanadas do que carros em cima dos passeios. Já estive em cidades que recebem muitos mais turistas do que Lisboa e nem por isso perderam encanto. Ou seja, não são os turistas que me preocupam.

    O que ultimamente começo a temer é que a ganância nos leve longe de mais, uma vez que toda a gente que tem um metro quadrado na cidade, de repente, acha que está sentado em cima de uma mina de outro e faz tudo para o rentabilizar. Falo dos proprietários, que começam a despejar inquilinos e lojistas, por exemplo, não para os substituir por outros inquilinos e lojistas que paguem rendas mais caras e actualizadas, como está no seu direito, mas antes para fins exclusivamente turísticos, seja na versão hoteleira ou na versão short-renting. Falo das lojas tradicionais, drogarias, sapateiros, alfarrabistas, tasquinhas e oficinas que começam a ser substituídas por lojas de souvenirs feitos na China ou por marcas de cadeias internacionais. Falo dos negócios que toda a gente vê que são feitos para o estrangeiro deslumbrado e do preço das casas que saem das reabilitações a ultrapassar os sete dígitos, tornando-se proibitivos para quase todos os portugueses.

    Eu sei que é difícil gerir o interesse público, histórico, cultural e os direitos dos proprietários, que os têm e nunca devem ser esquecidos, mas o que faz uma cidade não são só as suas bonitas fachadas e monumentos. Na verdade, e especialmente no caso de Lisboa, grande parte da alma e charme está nos próprios lisboetas. O que será do Castelo, de Alfama, da Mouraria, do Bairro Alto sem os seus típicos moradores? O que será dos Santos sem aqueles que se envaidecem pela sua rua porque é sua, porque sempre foi sua, porque lhe está no sangue? O que será dos cafés sem o bolo caseiro, a sandes de torresmos, o pastel de bacalhau frito em óleo com vários dias? Como será passar pelas ruas e não ver as cuscas à janela, os malandros encostados, os reformados a jogar no largo, as crianças a brincarem sem vigilâncias, donas daquelas calçadas, protegidas pela vizinhança? Como será deixar de ouvir o sotaque lisboeta, como deixou de se ouvir os cauteleiros, as varinas e os vendedores ambulantes, cujos pregões estão agora reduzidos a registos escritos?

    Estas dúvidas assaltaram-me com maior intensidade quando estive recentemente em Salvador da Bahia, no Brasil. Tinha lá estado há precisamente vinte anos e na altura fiquei apaixonada pela cidade. Mesmo sob chuvas torrenciais a cidade vibrava e o centro antigo, a zona do Pelourinho, era um mosaico de cor, música e autenticidade. Havia músicos em cada esquina, mães de santo, mulheres trajadas de baianas a venderem bugigangas, mas que não cobravam para tirarmos uma fotografia com elas, igrejas de porta aberta, galerias de arte repletas de obras originais, de artistas locais, havia pessoas a saírem e a entrarem das suas casas e rodas de capoeira. Era um sítio turístico, claro, mas com alma. Desta vez estava lá tudo, igualzinho e até melhorado, com as fachadas todas bonitinhas e nenhum lixo no chão. Mas não estavam lá as pessoas. Nem os botequins, agora substituídos por restaurantes com mobília nova e ementas tipo buffet. Nem a música, nem o cheiro. No rés-do-chão de cada edifício, loja sim há um restaurante, loja não há uma loja de souvenirs que vende exactamente o mesmo que a loja anterior. Dos ímanes às t-shirts, dos quadros às canecas, é tudo igual em todas as lojas. Não vi uma única criança. Nem mesmo das mais pequeninas que ainda não andam na escola. Parecia que estava num cenário de um filme, onde está tudo lá, excepto a vida. Foi triste. Talvez não tivesse sido se fosse a minha primeira vez em Salvador. Mas tendo como comparação o que vivi vinte anos antes, foi um choque.

    E é isso que não gostava que acontecesse a Lisboa. Quero vê-la bonita, cosmopolita, hospitaleira, cheia de gente de todo o mundo, mas também cheia de lisboetas. Porque a verdade é que, ao contrário dos parisienses, dos madrilenos, dos romanos, nós não temos rendimentos que nos permitam viver numa cidade em que as casas custam mais de um milhão de euros e em que as rendas das lojas só conseguem ser suportadas por multinacionais. O que faz com que o nosso destino se aproxime mais do dos baianos.

    Não sei quais as medidas mais eficazes para impedir tamanha tragédia. Pode passar por coisas como a tal lei de protecção do comércio local tradicional com interesse histórico, que supostamente será aprovada até ao Verão, ou por outras que limitem o número de casas com licença para arrendamentos de curta-duração, de modo a que as casas reabilitadas fiquem disponíveis para arrendamento de longo prazo, ou por outras ainda que limitem a especulação imobiliária provocada por esta nova moda dos estrangeiros comprarem cá casas com o único intuito de terem morada fiscal portuguesa e não pagarem impostos, mantendo-as fechadas e inabitadas grande parte do ano. Não sei. Mas penso que todas essas medidas e outras que surjam devem ser estudadas e ponderadas com seriedade, para que daqui a uns anos não nos deparemos com uma cidade fantasma, com fachadas de plástico a imitar o antigo, alimentada por cadeias tipo Padaria Portuguesa, e cuja alma foi vendida ao turismo.

  • Uma das melhores coisas que a experiência de publicar livros me trouxe foi a possibilidade de conversar com os meus leitores. É uma relação diferente da que se cria com seguidores do blog ou de redes sociais, porque um livro é um objecto em si, que simplesmente se pode fechar e arrumar numa prateleira para não tão cedo voltar a ser aberto. Ou seja, quando se lê uma crónica num blog ou um post no Facebook é fácil e imediato fazer um comentário. Mas haver leitores que depois de terminarem um livro se dão ao trabalho de pegar num smartphone ou computador para me escreverem um email ou mensagem a falar de um livro meu é sinceramente comovente.
    Por vezes escrevem-me para elogiar ou comentar o livro, mas muitas vezes acabam por fazer pequenos desabafos ou partilhar um bocadinho das suas histórias. E de repente parece que nos conhecemos, embora nunca nos tenhamos cruzado. E de repente cria-se uma ligação muito especial.
    A Liliana é uma dessas leitoras. Contactou-me pela primeira vez meses depois de "Os 30" terem saído e, desde então, a cada novo livro, há sempre da parte dela uma palavra carinhosa. Por isso, foi com todo o gosto e sem qualquer hesitação que respondi ao seu pedido de entrevista. Uma entrevista que acabou por resultar muito bem, mérito das perguntas dela.

    Digam lá se não concordam.


    1- Quem era a Filipa antes e depois do primeiro livro editado?
    Continuo a mesma Filipa, a Filipa que sempre quis ser escritora e que sempre escreveu histórias. A diferença reside no facto de agora ter mais confiança na minha escrita porque houve quem quissesse publicar o que eu escrevi e porque recebi boas criticas dos leitores. Ou seja, descobri que o que escrevo interessa às pessoas (pelo menos a algumas) e isso acaba por me dar mais motivação para continuar a escrever.


    2-Qual a sensação dum trabalho reconhecido?
    É fantáśtico! É descobrir que afinal as minhas histórias, as minhas personagens, as minhas ideias são relevantes. Saber que provoco nos meus leitores o mesmo que tantos escritores que li me provocaram. 

    3- Qual dos três livros é o teu preferido ou te deu mais gozo fazer? Porquê?
    O meu preferido é "Os 30", porque foi o primeiro. Não há amor como o primeiro, não é? Mas o que me deu mais gozo fazer foi o livro de crónicas "Coisas que uma Mãe Descobre (e de que ninguém fala)", porque tive o prazer de trabalhar com a minha grande amiga Sofia Silva, a autora das ilustrações, e juntas construimos o livro como se fosse também um áĺbum de recordações para quem o lê.

    4- Quem são a Filipa-Escritora e a Filipa-da-publicidade? São a mesma pessoa? É possível, algum dia, só existir uma delas?
    A Filipa-Escritora é a verdadeira Filipa. O que resulta desse trabalho são as minhas ideias, reflexões, paixões. É um trabalho criativo mas íntimo e pessoal. A Filipa-da-publicidade trabalha em dupla e é obrigada a responder a um briefing do cliente, ao escurtínio de directores criativos, às decisões dos directores de marketing, às exigências do público a que se dirige. É um trabalho criativo mas colectivo e completamente impessoal. Nem poderia ser de outra forma: quando escrevo para publicidade escrevo em nome da marca que estou a trabalhar. Não pode transparecer a minha voz.
    Gostava de um dia poder ser apenas a Filipa-escritora.

    5- E se amanhã acordasses e tudo tivesse sido um sonho?
    Continuava a escrever e a enviar manuscritos a editoras até conseguir realizar o sonho.

    6- Que conselhos dás a quem quer seguir os teus passos?
    Muito trabalho, muito sentido crítico, muita preseverança. Ter a humildade para saber que há centenas de escritores melhores que nós, que é muito difícil vender livros em Portugal, mas que isso não pode ser desculpa para pararmos de escrever e deixarmos de fazer mais e melhor.

    7- Quais são os pros e os contras de ter um trabalho editado?
    Os pros são ter uma voz e ver a nossa mensagem chegar a pessoas que nao conhecemos, que nem sonhávamos que pudessem ler as nossas palavras. Os contras são passarmos a estar sujeitos ao cyber-bulling (para quem como eu está muito presente nas redes sociais) e à crítica destrutiva e infundada.

    8- Eram estas as tuas expectivas?
    Chegar ao top 100 da Amazon? Não, isso foi muito mais do que tinha imaginado.


    9- Já pensaste em desistir? Porquê?
    Nunca pensei em desistir, porque escrever é o que mais gosto de fazer. Enquanto tiver leitores, mesmo que sejam poucos, vou continuar a publicar. E se um dia não tiver leitores continuarei a escrever para mim.

    10- Tens novidades que possas partilhar?
    Sim! Esta Primavera vai sair o meu quarto livro. Ainda não posso revelar o título, mas posso dizer que se trata de um romance contemporâneo e que se passa nas ruas de Lisboa.

    11- Uma frase...
    Não há impossíveis

    12- Algo que não realizaste no mundo da literatura...
    Viver da escrita

    13- Os teus livros serem convertidos em filmes, séries e/ou peças de teatro seria...
    Maravilhoso. Adorava ver como um realizador ou encenador pegaria nas minhas histórias e como os actores dariam corpo às minhas personagens.

    14- A escrita para ti é...
    Indispensável

    15- Os teus livros para ti são...
    Filhos. E agora que sou mãe ainda tenho mais certeza disso: temos uma gestação que nos faz alternar entre o prazer puro e o sentimento de "porque é´que me meti nisto" (o processo de escrita, edição, revisão tem momentos dramáticos); depois temos um parto onde nos vemos entre o medo e a mais completa alegria (o equivalmente ao lançamento do livro); depois vêm os primeiros tempos, em que temos de ter todos os cuidados com a promoção e divulgação do livro, para garantir que tem uma vida longa nas prateleiras das livrarias; e por fim temos de deixá-lo partir, crescer sozinho, passar de mão em mão. Como os filhos, os livros deixam de ser só nossos e passam a ser de todos os que os lêêm. E ainda bem.


    Podem ler a peça completa no blogue da Liliana. Embora em ache que ela exagerou um bocadinho no título, até porque eu só tenho um metro e meio ;)

    http://www.devaneiosdemissl--8.com/2017/02/a-entrevista-grande-filipa-fonseca-silva.html?m=1



  • Sou fã de batons. Sempre fui, a minha mãe que o diga, quando chegava a casa e tinha os seus todos lambuzados das minha experiências infantis. Na verdade, batom é o único item de maquilhagem que não dispenso e que vai comigo para todo o lado. E como devem calcular, ao longo dos úĺtimos vinte anos experimentei todas as grandes marcas do mercado e outras mais desconhecidas, nomeadamente as poucas que existem feitas com ingredientes 100% naturais. Por isso, acreditem, o que vão ler a seguir é uma opinião de quem percebe do assunto, pelo menos na óptica do utilizador.

    Então, a minha busca pelo batom perfeito começou no dia em que descobri que todas as marcas que eu usava eram testadas em animais. DIOR, Clinique, Esteé Lauder, Yves Sain Laurent,L'Oreal, MAC... Aliás, a Estee Lauder, que detém as marcas Clinique, Bobby Brown, La Mer, Tom Ford, Michael Korrs entre outras, tem uma política anti-crueldade que diz que não testam em animais a não ser que seja obrigatório por lei. E adivinhem onde é que é obrigatório testar cosméticos em animais: no maior mercado destas marcas - a China.

    Adiante. Em pouco tempo fiquei reduzida a duas ou três marcas de perfumaria e a lojas como a BodyShop, Lush ou Celeiro. Acontece que estas lojas não são especialistas em maquilhagem. Têm alguns produtos sim, mas ou são tão suaves que parece que não estamos a usar nada ou têm texturas e aromas esquisitos. E para quem estava habituada a marcas com tanta variedade e qualidade, encontrar um simples batom parecia impossível.

    Eis senão quando decido ir à Organii, uma loja de cosmética orgânica que já existe no Chiado há uns bons 6 anos, mas que como para mim não fica numa zona de passagem, esqueço-me de visitar tanto como deveria. Lá encontrei não uma, mas três marcas de maquilhagem com uma boa variedade de produtos. E sobretudo descobri o melhor batom que experimentei na vida!

    Sorbet Lipstick da marca Absolution cor nº3.
    É um batom cremoso e hidratante como um batom de cieiro, brilhante, pouco opaco e que vem em três cores (nude, rosa e cereja). A versão mate tem outras 5 ou 6 cores, mas eu prefiro batons com algum brilho. Ah, e cheira a rosas! Acreditem que é mesmo o melhor batom que já experimentei.





  • Escrevo esta crónica em jeito de balanço. Bem sei que os balanços de fim de ano valem o que valem e que não temos de esperar pelos últimos dias de Dezembro para os fazer, mas este ano apetece-me mesmo, porque contra todas as expectativas e apesar de todas as desgraças, para mim foi um ano espetacular.

    Foi um ano em que tive a sorte de assistir à fantástica aventura dos meus filhos a descobrirem o mundo. Pode parecer banal, mas não é. O tempo passa tão depressa que esta primeira infância, inocente, crédula, aventureira, passa num abrir e fechar de olhos se não estivermos suficientemente atentos para aproveitar cada momento e gravá-lo na memória antes que se desvaneça.

    Foi um ano em que tive o privilégio de viajar. Por lugares conhecidos e desconhecidos. Não interessa o destino. Viajar, seja para onde for, alimenta a alma e a imaginação. Sair da rotina, ver rostos com que nunca nos cruzámos, saborear coisas que nunca experimentámos, desperta-nos os sentidos. O que nos faz estar mais despertos para as oportunidades que passam por nós.

    Foi um ano durante o qual escrevi mais um romance. (Sim, haverá novidades em breve!) Apesar do trabalho, apesar da maternidade, apesar de ir alimentando quando posso este blog, apesar do cansaço físico, as minhas histórias encontram sempre maneira de sair para o papel. É uma urgência quase física tirá-las da cabeça e vê-las desenrolarem-se em milhares de palavras que sei que um dia serão lidas por alguém.

    Foi um ano em que tive o prazer de fazer novos amigos, numa altura da vida em que, como pessoa introvertida que sou, não o esperava. E não foi apenas conhecer pessoas novas. Foi querer e gostar de estar com elas, foi sentir um à vontade como se nos conhecêssemos há vários anos. O que prova que a amizade, o amor, as oportunidades não diminuem à medida que envelhecemos, desde que estejamos atentos e abertos a recebê-los.

    E foi o ano em que, desculpem-me os que acham que se dá demasiada atenção ao futebol, Portugal foi campeão da Europa, o que ainda hoje, cada vez que me lembro, me faz vibrar. (Aliás, no dia de Natal estava a passar a repetição do jogo e foi quase tão emocionante reviver aquele dia como no próprio 10 de Julho.)

    Por isso, sim, apesar dos atentados terroristas e ambientais, dos recuos civilizacionais, da ascensão preocupante de nacionalismos e figuras incendiárias como Trump, apesar das guerras, dos refugiados, dos pobres, da morte surpreendente de tantos ídolos, da alienação provocada pelas redes sociais, foi um ano muito bom. Porque consegui superar a tristeza, a angústia e a revolta que todos esses acontecimentos me provocam e focar-me naquilo que me faz feliz. Porque todos os anos serão negros em muitos aspectos, mas se soubermos tirar deles os momentos que nos fizeram sorrir, se soubermos valorizar as pequenas coisas boas que nos acontecem, se espalharmos positividade, amor e esperança, qualquer ano merdoso se pode tornar um ano bom.

    E é isso que desejo para 2017. Para mim e para todos vocês: saber transformar o que quer que o novo ano nos traga em algo bom. Manter a fé na humanidade (eu sei que é difícil, sobretudo depois do Trump, mas vamos tentar), celebrar as pequenas vitórias de cada dia, criticar menos e elogiar mais (principalmente nas redes sociais), e acima de tudo não ter medo. O medo paraliza-nos, o medo expõem-nos, o medo impede-nos de tentar, de mudar, de lutar. O medo é realmente o maior inimigo da felicidade. Sejamos, portanto, felizes.




  • Não há maneira mais fácil de encontrar um presente de última hora do que entrar numa livraria. Em poucos minutos é possível descobrir o livro indicado para qualquer idade e gosto, mesmo para quem têm a mania de que não gostam de ler. Das centenas de possibilidades deixo-vos 8 sugestõẽs de livros maravilhosos, da literatura à culinária.




    Todos os Contos

    de Clarice Lispector (Relógio D'Água, 2016)
    Um livro que reune precisamente todos os contos daquela que "The New York Times" considerou "a maior escritora latino-americana de prosa." Acho que não é preciso dizer mais, pois não?



    A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar

    de Ricardo Araújo Pereira (Tinta da China, 2016)
    Tal como o subtítulo diz, trata-se de uma espécie de manual de escrita humorística, ou saber o que RAP tem a dizer sobre escrita de humor. Já li algumas críticas que dizem que é também uma prova do escritor extraordinário que RAP é.




    A Vegetariana
    de Han Kang (Dom Quixote, 2016)
    Vencedor do Man Booker Prizer deste ano, tem sido aclamado como um dos melhores livros do ano. Um romance sobre sexo, violência e loucura, que começa com o desejo de uma mulher de se tornar vegetariana até querer ser puramente vegetal e transformar-se numa árvore.



    A Amiga Genial 
    de Elena Ferrante (Relógio d'Água, 2014)
    A história de duas crianças que se conhecem num bairro popular dos arredores de Nápoles e a sua amizade ao longo da adolescência. Da autora mistério de que toda a gente fala.



    O Livro Amarelo
    de Mark Twain, Jorge de Sena e James Joyce ( Guerra & Paz, 2016)
    Três contos natalícios de três gigantes da literatura:
    A Noite que Fora de Natal, Uma Carta do Pai Natal e Os Mortos. Que mais se pode pedir?



    Dicionário de Palavras Supimpas 
    de José Alfredo Neto (Guerra e Paz, 2016)
    "Num dicionário convencional, entre sulipampa e surripiar surgem páginas inteiras de palavras como suor ou superveniência. Neste, a única que aparece é supimpa." Assim diz a sinópse e eu acredito porque conheço o autor e humor e inteligência são coisas que não lhe faltam. Um livro para dar umas boas gargalhadas.




    Era uma vez um Alfabeto 
    de Oliver Jeffers (Orfeu Negro, 2016)
    Eu sou suspeita, porque o Oliver Jeffers é o meu autor infantil preferido e não resisto a comprar cada novo lançamento. Este mais recente membro da famíĺia é tão irresistível como os anteriores e ainda não me cansei de o folhear. Para crianças de todas as idades, incluindo maiores de 18.



    As Receitas de Natal do Jamie Oliver

    de Jamie Oliver (Porto Editora, 2016)
    Diz que inclui todos os clássicos de que precisamos para o grande dia e para a época natalícia, nomeadamente sugestões para criarmos presentes, receitas para o grande acontecimento e ideias para aproveitar todas as sobras.

  • Quando era miúda adorava ter um gripezinha. É que nessa altura ficar doente significava uns três dias em casa com a televisão só para mim, mimos extra da mamã, canjinha e lanchinhos levados ao sofá num tabuleiro e até um livro para pintar novo ou qualquer coisa do género que a minha mãe trazia para que eu não me aborrecesse.

    Quando saí de casa também não era nada mau ficar doente. Já não tinha a mamã, mas tinha o maridão, sempre prestável, sempre preocupado, que não fazia canjinha porque a primeira e única vez que lhe pedi apresentou-me uma canja com esparguete, que era a sua definição de “junta umas massas”, mas que assim que chegava a casa me enchia de chá e de mimos. Ficar doente era também uma oportunidade de fazer gazeta e estar três dias a ver televisão, a pôr a leitura em dia e, nos momentos em que o paracetamol fazia efeito e me dava uma energia extra, fazer aquelas coisas que nunca temos tempo para fazer em casa, tipo arrumar as gavetas ou limpar o frigorífico por dentro.

    Hoje em dia, com dois filhos pequenos, uma gripe é o meu maior pesadelo. E uma gripe a aturar duas criaturas também com gripe é a absoluta definição de INFERNO. Um inferno inevitável sempre que alguém adoece lá em casa.

    É que estar doente e ter os filhos doentes para uma mãe é fazer as mesmas coisas que faria se estivesse na melhor forma mas com febre e dores variadas. Não há cá tempo para descansar, nem para ficar no sofá e se quiser uma canjinha tem mesmo de levantar o rabo do chão, onde esteve sentada durante duas horas a brincar com legos e a separar brigas de irmãos, e ir fazê-la. Não há cá televisão a não ser que esteja ligada no canal Panda e claro que, no momento em que pensa que vai conseguir dez minutos para tomar um banho quente a ver se o vapor desentope o nariz, é chamada duzentas vezes por um dos monstrinhos.

    Estar doente e ter os filhos doentes para uma mãe é passar o dia a sonhar com a cama, mas quando chega a hora de dormir ter arrepios só de pensar que vai ter de se levantar umas quatro vezes para verificar febres, para distribuir copos de água, para acalmar tosses e depois voltar para a cama a pensar que é melhor não adormecer senão vai custar mais acordar na próxima chamada.

    Estar doente e ter os filhos doentes para uma mãe é desejar que o Brufen tenha nela o mesmo efeito que tem nas crias, que uma hora depois da toma passam de um estado de languidez para uma euforia tal que parece que fizeram uma linha de coca.

     E finalmente, estar doente e ter os filhos doentes para uma mãe é desejar ardentemente voltar para o escritório e se possível que lhe peçam para ficar a trabalhar até mais tarde. É que ao menos no escritório dá para estar sentada todo o dia e as dores de cabeça passam mais depressa sem gritos.


  • O frio já se faz sentir, as lareiras começam a crepitar, as luzes de Natal enfeitam as ruas e tu arrastas uma lista no bolso com as pessoas a quem queres comprar um presente. Não tens tempo, não tens paciência para andar nas compras e acima de tudo, não sabes como fugir ao livro, à garrafa de vinho, às velas perfumadas e à camisola de malha.
    Nada temas. Como é habitual aqui no blog, e encarnando a figura de ajudante de Pai Natal que tão bem condiz com a minha estatura, trago no meu saco imaginário variadíssimas sugestões de presentes de Natal diferentes e com a vantagem adicional de serem todos 100% portugueses, que eu levo muito a sério esta coisa de privilegiar o que é nosso.
    Preparados? Então aqui vai.

    1. À Capucha
    A capa tradicional portuguesa, usada por pastores e lavradores, feita à mão em tecido 100% lã impermeável, foi reinventada para se adequar a um estilo de vida cosmopolita. Directamente da aldeia de Arões para qualquer ponto do país, estas capuchas são feitas por encomenda e demoram cerca de 3 semanas a estarem prontas, por isso, não te atrases ou o Pai Natal não terá tempo para a entregar.


    2. Aldeia da Roupa Branca
    Lavar a roupa à mão já não é tão comum como nos tempos do filme de Beatriz Costa, mas invariavelmente há que fazê-lo. E porque não fazê-lo com os cheirinhos de outros tempos? Esta marca portuguesa aposta no sabão tradicional, mas também nas águas perfumadas para passar a ferro, nos saquinhos par perfumar os roupeiros e muito mais. Um cofret como na imagem ronda os €35 e é um daqueles presentes surpreendentes impossíveis de não gostar.


    3. Peças Bordalo Pinheiro
    Nada como manter as tradições vivas e ao mesmo tempo oferecer uma obra de arte. Com peças a partir dos €6.90, desde pratos a jarras ou bonecos decorativos, há muito por onde escolher na loja online ou num dos inúmeros pontos de venda por esse Portugal fora, como as lojas Vista Alegre ou A Vida Portuguesa.


    4. Máquina de café Briel
    Para fugir à monotonia das máquinas nespresso e afins, cujas cápsulas, sabe-se agora, são uma praga e um pesadelo para reciclar, que tal apostar numa marca portuguesa e voltar a usar café a sério? Para mim pode ser esta edição especial em cor-de-rosa, ouviste Pai Natal? É tãoooooooo linda!


    5. Licores Pinguça
    Com sabores como cacau ou maracujá, estes licores artesanais mas com um design inspirado nos antigos elixires boticários, vão fazer as delícias de qualquer adulto e são uma alternativa deliciosa à aborrecida garrafa de vinho (não desfazendo nos magníficos vinhos portugueses de todas as regiões e preços que temos por aí). As receitas são de uma tal Avó Micas, que até dá nome a uma das variedades.


    6. Produtos Hands on Earth
    E continuando numa onda gourmet, esta sugestão traz-nos o melhor da agricultura biológica: tisanas, compotas, mel, frutos desidratados e ervas para cozinhar. Podem ser comprados individualmente ou na forma de bonitos cabazes que vão dos €7.95 (3 condimentos simples) aos €34,50 (cabaz composto por vários produtos premiados, que se vê na imagem). Não parece delicioso?


    7. Viagens Chocolate Box
    Forest Gump dizia que a vida é como uma caixa de chocolates, nunca se sabe o que nos vai calhar. Foi a pensar nisso que o experiente viajante e guia Inácio Roseira criou a Chocolate Box, a primeira agência de viagens focada em escapadinhas de 3 dias cujo destino é surpresa. Só temos de escolher as datas, três cidades que não queremos mesmo que nos calhem e esperar pela surpresa que só chega na véspera da partida, acompanhada de um guia personalizados da cidade, um livro para ler na viagem e uma tablete de chocolate. O preço é €495 e inclui voo e 2 noites em hotel de 4 ou 5 estrelas com pequeno-almoço. E o mais giro é que, sendo o destino surpresa, podemos oferecer uma Chocolate Box a nós próprios! Adoro a ideia.

    8. Sapatos Rumbanita
    É verdade, para mim não há Natal sem sapatos e estes são de morrer! Inspirados nos sapatos de dança de salão e tão confortáveis que nos fazem querer mesmo dançar, as Rumbanitas são o presente ideal para mulheres que, como eu, nunca terão demasiados sapatos.

    9. Brinquedos Science 4 you
    Há muita gente que desconhece que esta marca é portuguesa. Sim. É mesmo. Mas não é só por isso que os brinquedos e jogos Science 4 You são um presente giro para miúdos a partir dos 3 anos. É porque os jogos e puzzles e laboratórios são mesmo didáticos e divertidos. E há para todos os gostos: dinossauros, planetas, experiências de química ou botânica, fábrica de sabonetes ou de iogurtes! Tudo para pequenos exploradores.

    10. Agenda IPO
    Ilustrada pelo multi premiado João Vaz de Carvalho e partilhando histórias de 12 personalidades portuguesas, esta agenda vai acompanhar o seu dono durante todo o ano com imagens e textos inspiradores, ao mesmo tempo que as receitas revertem para uma das causas mais nobres que conheço, a ala pediátrica do IPO. Porque para mim, Natal é também fazer mais pelos outros.



    E agora apressa-te, que já só falta um mês! Feliz Natal!

  • Estou a preparar o meu próximo projecto e tenho andado a pesquisar as histórias mais inacreditáveis que acontecem com CHEFES. Desde o clássico "tens muita sorte em ter um emprego" ao "há mais quem queira o teu lugar", há coisas que os chefes nos dizem ou fazem que contado ninguém acredita. E são precisamente essas histórias que eu preciso.

    Queres ajudar-me?
    Se quiseres, basta enviares um email para filipafonsecasilva@gmail.com ou enviares uma mensagem privada pelo Facebook com a tua história mais inacreditável/hilariante/surpreendente.

    O total anonimato está garantido e as histórias que eventualmente usarei serão sempre contadas na perspectiva de um personagem fictício sem mencionar nomes, locais de trabalho ou qualquer outro pormenor que possa identificar os intervenientes. Por isso, nao tenhas pudores e deita tudo cá para fora ;)

    Obrigada desde já!

    Um beijinho

    Filipa Fonseca Silva


  • O resultado das eleições americanas surpreendeu-me. Sim, chamem-me ingénua, mas mesmo depois do Brexit acreditei no melhor, e sobretudo que a estupidez humana tem alguns limites, pelo menos os limites de não votar em alguém que fala das mulheres com frases como “grab them by the pussy” ou dos imigrantes mexicanos com um “they are murderers and rappists”. Pois. Parece que mais uma vez a minha esperança na nossa espécie foi demasiada e os factos demostram que não há mesmo limites para a estupidez.

    Por mais que os especialistas expliquem este resultado com teorias acerca do voto contra o sistema ou como reacção à crise global, na esperança ingénua de que as coisas voltem a ser como nos dourados anos noventa onde a prosperidade e ostentação no mundo ocidental eram os valores glorificados, custa-me aceitar que entre dois males se escolha aquele que personifica tudo aquilo de que o mundo neste momento não precisa: aquele que assenta num discurso populista, odioso, misógino e ignorante. E já agora era importante que as pessoas finalmente percebessem que o mundo nunca mais vai ser como nos anos noventa, que os recursos são escassos e finitos, que o planeta não sobrevive a milhões de pessoas a guiarem carros poluentes, a comerem três quilos de carne de vaca por semana e a viverem em casas de sete assoalhadas com vinte televisões.

    E isso leva-me precisamente ao que realmente me assusta nesta eleição e na razão pela qual considero que o fim do mundo está próximo. Não é o facto dos americanos terem um presidente xenófobo, machista, mal-educado e ignorante. Isso é um problema deles e será um problema tanto maior quanto as medidas que ele vier a adoptar, que incluem coisas como acabar com o Obamacare e manter o acesso às armas como está. O que é devastador é ter consciência do impacto de um presidente destes no futuro do planeta. Um presidente que em Maio disse que o aquecimento global é um embuste e que uma das suas primeiras medidas no que toca ao Ambiente seria cancelar o Acordo de Paris, que como todos deviam saber não é vinculativo, logo qualquer pais pode simplesmente ignorá-lo sem qualquer consequência. Um presidente que garantiu aos lobistas do petróleo, aos trabalhadores das industrias poluentes e a todos aqueles que não estão dispostos a abdicar de nenhuma parte do seu “american way of life” que vai traçar um plano energético que coloque as necessidades das famílias e trabalhadores americanos em primeiro lugar. Sendo que as necessidades energéticas das famílias e trabalhadores americanos são o dobro das da Grã Bretanha e duas vezes e meia as do Japão. Aliás, está mais do que provado, demostrado e divulgado que os americanos, que representam 5% da população mundial, gastam 1/3 de todo o papel, ¼ de todo o petróleo, 23% de todo o carvão e 27% de todo o alumínio. DO PLANETA!

    Quando acabei de ver o documentário [Before the Flood], de que vos falei no último post, apesar de deprimida fiquei esperançosa por saber que ainda havia maneira de reverter a espiral de destruição que vai acabar com a vida na Terra nos próximos séculos. Mas com este resultado , resta-me começar a fazer o luto. O planeta como o conhecemos começou hoje a morrer. A não ser que os líderes do resto do mundo se mantenham comprometidos e avancem com as medidas necessárias, mostrando aos EUA que não precisam deles e que a sua dependência do petróleo vai deixá-lo sozinhos, com os seus amigos do médio oriente, enquanto o resto do mundo civilizado se liberta e sobrevive com energias renováveis. E entretanto pode ser que os furacões e as secas atinjam os EUA com cada vez mais força até os americanos perceberem que quem semeia ventos colhe (literalmente) tempestades.
  • Este título é um bocado enganoso, porque em termos práticos a Terra não precisa de humanos para nada. Já viveu milhões de anos sem nós e continuará a existir quando desaparecermos. Mas precisa da nossa ajuda e sobretudo da nossa acção para continuar a ter condições para nos alimentar. É esta a grande mensagem do fabuloso documentário de Leonardo DiCaprio [Before the Flood].

    O aquecimento global está em marcha e os seus efeitos, aqueles que os cientistas há décadas pensavam que só se sentirião daqui a muitas gerações, são reais. Cheias, furacões cada vez mais devastadores, zonas do planeta em seca severa, recordes de temperaturas, o degelo, a subida do nível do mar, o envenenamento das águas, dos solos, do ar já não são cenários de ficção científica. São factos reais, noticiados todos os dias e à vista de quem quiser ver. Se continuarmos neste ritmo de destruição do planeta e dos recursos, em breve entraremos numa espiral irreversível.

    E no entanto, a tecnologia hoje disponível e os conhecimentos científicos hoje alcançados tornam possível pará-la. A Terra vai aquecer 1,5ºC no próximo século mas depois de atingir esse pico pode começar a arrefecer permitindo a sobrevivências de todas as espécies, incluindo a nossa.
    Mas convido-vos a ver o documentário e a tirarem as vossas próprias conclusões. Está disponível gratuitamente no youtube e no videoclube da Zon.

    https://youtu.be/90CkXVF-Q8M
    Vejam e façam a vossa parte tomando medidas básicas como:
    - deixar de comer carne de vaca (as outras também, mas a vaca é a que tem maior impacto como já tive oportunidade de referenciar aqui)
    - deixar de consumir produtos de marcas que claramente não têm práticas sustetáveis
    - sempre que possível optar por produtos biológicos e de marcas amigas do ambiente
    - e principalmente pressionar os governos a tomar medidas sérias e vinculativas em defesa do ambiente, como por exemplo instituir a taxa de carbono, investir nas energias renováveis e multar os infractores com penas significativas.

    Ou então não vejam, não façam nada e morram com a certeza de que os vossos netos dificilmente sobreviverão num planeta sem água potável, sem solos para a agricultura, sem o Ártíco, sem corais, sem vida.